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Relatório das atividades de Solstício de Inverno de 2025
26 ago
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Relatório das atividades de Solstício de Inverno de 2025

Sumário

  1. Objetivo
  2. Introdução
  3. Atividades Desenvolvidas
  4. Novos Observadores e Descobertas
  5. Resultados e Impactos
  6. Considerações Finais

 

1. Objetivo

Este relatório tem como objetivo apresentar as ações realizadas pelo Instituto Multidisciplinar do Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA) no campo da arqueoastronomia, educação ambiental e valorização do patrimônio megalítico no período recente.

2. Introdução

O IMMA atua na preservação, pesquisa e divulgação do patrimônio natural e cultural, com especial atenção à Unidade de Conservação Morro da Galheta, em Florianópolis. As atividades desenvolvidas buscam integrar ciência, educação, turismo sustentável e participação comunitária.

3. Atividades Desenvolvidas

  • Curso de capacitação em Condutor Ambiental

O curso teve início em 17 de fevereiro e foi concluído em 14 de junho de 2025.
Além da capacitação para a condução em Unidades de Conservação, tivemos a oportunidade de apresentar nossas pesquisas em arqueoastronomia em Santa Catarina, em uma carga de 8 horas-aula ministradas pelo professor Mário Aleixo Corrêa da Motta (Marinho Motta).

Durante o curso, também visitamos a sede do Departamento de Unidades de Conservação da FLORAM, localizada na UC Mona Peri, bem como a sede do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Na região da Pinheira, exploramos uma parte do parque e, na caverna de Vilmar Godinho, fomos surpreendidos com o livro O Jardim das Rochas do Tempo, uma obra que apresenta uma metodologia de observação dos astros em sítios megalíticos no litoral catarinense, em diálogo com a nossa própria prática.

Durante o curso, tivemos ainda o privilégio de participar do projeto integrador, cuja meta foi elaborar um planejamento de condução ambiental voltado a pessoas com acesso reduzido. Mais do que elaborar o projeto, conseguimos colocá-lo em prática, em parceria com a Associação Catarinense para Integração do Cego – ACIC, conduzindo pessoas com deficiência visual na Trilha do Dólmen da Oração.

A realização ocorreu no dia 9 de junho, conforme nos comprometemos. Foi emocionante testemunhar a alegria do grupo conduzido e dos professores, em especial do professor Igor Zucchi, coordenador do projeto de mobilidade da ACIC, que prontamente aceitou nosso convite e mobilizou sua equipe. Os participantes vieram de ônibus de diferentes localidades e deram depoimentos tocantes sobre a importância dessa vivência inclusiva.

No dia 14 de junho, apresentamos o projeto integrador como etapa final do curso de Condutor Ambiental. A equipe de condutores do IMMA foi composta por Adnir Ramos, Débora Machado, Diogo Souza e Victor Sussekind. Contamos também com a contribuição especial de Nicole Zanini, Guardiã do Som, que conduziu uma vivência sonora e meditação no topo do Morro da Galheta, no observatório Pedra Virada.

  • Vivência com Professores e Estudantes na Trilha Dólmen da Oração

 

Escola For Life

Trilha Dólmen da Oração tem se consolidado como um importante espaço de apoio ao ensino acadêmico. Isso se deve à sua estrutura segura para os visitantes, ao manejo que minimiza os impactos ambientais, à conexão com sítios megalíticos que integram paisagem e observação celeste, e ao fato de estar localizada em uma Unidade de Conservação. Em parceria com a FLORAM, temos promovido a substituição da vegetação exótica invasora pela Mata Atlântica nativa.

No mês de junho, recebemos duas escolas com objetivos distintos. A Escola For Life, do Campeche, organizou sua atividade em comemoração à Semana do Meio Ambiente, no início do mês. Propusemos então o plantio de árvores ao longo do percurso da trilha, localizada em uma propriedade particular inserida na Unidade de Conservação Monumento Natural Municipal Morro da Galheta (UC Mona Galheta), onde a presença de propriedades privadas está em consonância com o plano de manejo.

A atividade reuniu 43 estudantes e 6 professores. Em parceria com a FLORAM, realizamos o plantio de 30 mudas de palmito-juçara (Euterpe edulis) e apresentamos aos estudantes a sucessão natural dos palmitos que vêm sendo plantados desde 2004. Assim, puderam observar exemplares em diferentes estágios de crescimento, projetando-se para o futuro ao imaginar como estarão as árvores que plantaram quando completarem 30 anos de idade, daqui a duas décadas.

Durante a atividade, ocorreu um episódio marcante. O pai de uma das estudantes, ao chegar ao Memorial da Pesca e observar as miniaturas dos monumentos megalíticos, relatou emocionado uma memória de sua juventude. Pescador nativo do Pântano do Sul, contou que costumava passar próximo às Ilhas dos Moleques do Sul, onde um monumento sempre chamava sua atenção. Um dia, ele e um companheiro decidiram escalar a estrutura para tentar derrubá-la; após muito esforço para alcançar o topo, desistiram devido ao peso do bloco menor.

Ele também mencionou a existência de uma grande gruta na ilha, utilizada por pescadores e navegantes como local de oração, “como uma igreja”, segundo suas palavras. Descreveu ainda a presença de uma mesa no centro da formação rochosa.

Esse relato foi profundamente significativo, pois reforça a importância de nosso trabalho como educadores ambientais e patrimoniais. Assim como formigas, vamos compartilhando conhecimento, despertando consciência e, ao mesmo tempo, recebendo informações valiosas que enriquecem ainda mais nossa missão.

 

Atividade de Lua Cheia – 12 de junho de 2025

O inverno se aproximava, trazendo estiagem ao Sul do Brasil, quando a lua cheia alcançou seu ápice no hemisfério sul. Nesse momento, ela se pôs a oeste, iluminando a Lagoa da Conceição com seu brilho prateado, tendo como pano de fundo a constelação de Sagitário. O ocaso ocorreu exatamente a 239,47°, como se a lua fosse um ser inteligente e sincronizado com o meio ambiente, compensando, neste período, a falta de luz solar no Polo Sul.

Reunimo-nos no dia 12 de junho no Dólmen da Oração, aproveitando o céu límpido para contemplar o ocaso da lua e, em seguida, o nascer do sol. O encontro foi conduzido pelo condutor ambiental Diogo Souza, que me convidou para participar da atividade junto ao seu grupo. O objetivo de Diogo era promover uma reflexão sobre o início da onda Tormenta Encantada, conceito baseado no Sincronário da Paz, defendido e difundido por José Argüelles.

Esse calendário alternativo propõe substituir o calendário gregoriano por um sistema fundamentado nos ciclos naturais, em especial o ciclo lunar de 28 dias, buscando alinhar a humanidade com a frequência natural do tempo, conhecida como 13:20.

Todos tivemos a oportunidade singular de observar o ocaso da lua tanto pelo enquadramento do Dólmen da Oração quanto pelo do Observatório Pedra Virada. Naquele instante, a lua encontrava-se a 4° abaixo do Trópico de Capricórnio, ou seja, ao sul da trajetória solar no verão do hemisfério sul.

Assim, como um relógio eterno, o Observatório Pedra Virada e o Dólmen da Oração registraram com precisão os cálculos, pesos e medidas da mecânica celeste — o bailar dos astros refletido em cada pedra. E, como gosto de dizer, chamo-as de pedras preciosas, pois em cada uma de suas lascas carrega-se inteligência e intencionalidade desde a ancestralidade.

Atividade de Lua Cheia – Vivência Noturna

No final da tarde, fomos agraciados por um momento indescritível. Durante a atividade, o ambiente foi envolvido pelo som terapêutico de healing e pelas músicas intuitivas de Diego Vibrasom, criando uma atmosfera de contemplação profunda que se harmonizou com o nascer da lua em todo o seu esplendor.

Tive ainda a oportunidade de compartilhar o conhecimento sobre as constelações indígenas Guarani, transmitido pelo professor Dr. Germano, que em diversas ocasiões esteve conosco na trilha e em palestras do IMMA. Apesar do brilho intenso da lua cheia ofuscar parte do firmamento, as constelações do Escorpião e do Cruzeiro do Sul permaneciam visíveis. A partir delas, era possível identificar o contorno da constelação da Ema Guarani, revelando a cosmovisão dos povos originários que leem o céu como um livro sagrado.

A noite ainda nos presenteou com a presença de uma coruja, que sobrevoava e pousava sobre os monumentos megalíticos. Guardiã do espaço e símbolo da sabedoria ancestral, ela atraiu a atenção e o encantamento de todos os participantes, tornando a vivência ainda mais significativa e memorável.

Lives para Divulgação da Semana da Arqueoastronomia em Florianópolis

As lives de divulgação da arqueoastronomia em Florianópolis acontecem de forma contínua, porém, a partir de abril, intensificaram-se para chamar a atenção da comunidade sobre a Semana da Arqueoastronomia. O objetivo principal é mostrar a importância dos monumentos megalíticos da Ilha de Santa Catarina, promovendo seu reconhecimento, valorização e proteção.

Live da Exposição no Shopping Oka

Em abril, fomos convidados pelas empresas AVTUM – Turismo de Aventura Floripa e Oráculos do Brasil para realizar uma exposição no Shopping Oka, localizado no Campeche. A atividade serviu para aproximar o público leigo da arqueoastronomia e apresentar a arte rupestre e os monumentos megalíticos de forma acessível e interativa.

Visita da Influencer Rosa Maria

No dia 17 de abril, recebemos a visita de Rosa Maria, influenciadora do @FloripaMilGrau. Tive o privilégio de apresentar a plataforma de observação astronômica no início da Trilha do Dólmen da Oração e observar as estrelas no observatório Pedra Virada, localizado no Mona Galheta.

A visita foi organizada a convite de Carlos Rocha, entusiasta dos estudos de arqueoastronomia promovidos pelo IMMA, e proporcionou uma oportunidade valiosa de divulgar as pesquisas e atividades de conscientização ambiental e patrimonial realizadas na unidade de conservação.

Sambaqui Ponta das Almas – Canto dos Araçás

No dia 19 de abril, realizamos uma live diretamente do Sambaqui Ponta das Almas, localizado às margens da Lagoa da Conceição. A reflexão abordou os resultados de pesquisas arqueológicas e o posicionamento estratégico dos sambaquis em relação ao Morro da Galheta, por onde o sol e a lua transitam de ponta a ponta em suas estações e fases.

Também destacamos o “trono” existente dentro da Lagoa, além de um pequeno poço semelhante ao encontrado em uma gruta com gravuras rupestres na Ilha do Campeche. Durante a transmissão, reforçamos o convite para a atividade do Solstício de Inverno a ser realizada nesse sítio arqueológico, que se encontra aberto ao público.

 

Canto Norte da Praia dos Ingleses – Canto das Gaivotas

No mesmo dia, visitamos a Caverna das Feiticeiras, a Pedra Equilibrada, o Dólmen do Oratório e a gravura rupestre, todos localizados no costão norte da Praia dos Ingleses, conhecido como Canto das Gaivotas.

A Caverna das Feiticeiras, formada por blocos de granito, é um espaço impressionante que atrai muitos visitantes por seu aspecto bucólico. A Pedra Equilibrada se destaca pela peculiaridade e singularidade de seu posicionamento incomum. O Dólmen do Oratório carrega uma aura de sacralidade, tanto ancestral quanto atual. Já a arte rupestre presente no local integra uma história gravada que se estende de Porto Belo a Garopaba, abrangendo mais de 30 sítios arqueológicos e registrando mais de 400 gravuras.

Plataforma Arqueoastronômica na Fortaleza da Barra da Lagoa

No dia 29 de abril, durante o ocaso da Lua Nova, realizei uma Live a partir da plataforma de observação na Fortaleza da Barra da Lagoa, mostrando a posição da Lua em lunistício maior. O objetivo foi evidenciar os efeitos que esse fenômeno causa no clima e, ao mesmo tempo, estimular uma maior consciência sobre a dinâmica dos movimentos lunares.

Pedra do Frade – Costão da Galheta

No dia 1º de maio, estive na Pedra do Frade, localizada no Costão da Galheta (acesso pela trilha das Piscinas Naturais), para mostrar o ponto onde o Sol se encontrava na metade do outono e onde ele chegaria no solstício de inverno.

Na volta, apresentei também a gravura rupestre, marcada pelo alinhamento solar durante o solstício de verão.

10 de maio – Ponta do Gravatá

O céu amanheceu límpido e segui em direção à Ponta do Gravatá para visitar a Pedra da Cama, também conhecida por mim como Olho do Dragão.

A denominação “Cama” se deve a uma cavidade existente no lado norte da rocha, suficientemente ampla e confortável para que uma pessoa de estatura mediana possa deitar-se, abrigada das intempéries. Já a associação com o “Olho do Dragão” surge pela forma do morro, cujo contorno lembra um dragão, e pela posição da pedra: quem repousa ali sente-se como a “menina dos olhos” desse ser mítico.

Outro aspecto intrigante é o modo como a pedra se encontra disposta, rente ao precipício, com sua superfície plana voltada para cima, sugerindo intencionalidade em sua colocação. Sua circunferência é de aproximadamente 13 metros; por representar a metade de uma elipse, ela remete simbolicamente à metade da precessão dos equinócios, ciclo astronômico de cerca de 26 mil anos, evocando assim um período de 13 mil anos.

10 de maio – Lua Cheia na Plataforma Arqueoastronômica

No crepúsculo do dia 10 de maio, quando retornava para casa, deparei-me com a lua cheia surgindo no horizonte, exatamente na direção do Dólmen da Oração.

Diante da beleza e da precisão desse alinhamento, não resisti: desci rapidamente até a Plataforma de Observações Arqueoastronômicas, situada abaixo de minha casa, e realizei mais uma transmissão ao vivo. O objetivo foi mostrar ao público o posicionamento da lua cheia em relação ao Dólmen da Oração, destacando o diálogo entre o monumento e os ciclos celestes.

11 de maio – Dólmen da Oração (Dia das Mães)

No Dia das Mães, 11 de maio, subi a Trilha do Dólmen da Oração com o propósito de compartilhar reflexões sobre o ciclo da fertilidade a partir de meus estudos em genética humana.

No percurso, destaquei a importância da Cama da Fertilidade do Observatório Pedra Virada, relacionando-a com as datas comemorativas do calendário atual. Nesse contexto, abordei também a simbologia da gestação comparada à Arca de Noé, tema que venho desenvolvendo em estudos que unem três fontes de conhecimento:

  • as Gravuras Rupestres,
  • Bíblia Sagrada,
  • e a Genética Molecular.

Esse diálogo interdisciplinar busca compreender como diferentes tradições e registros — científicos, míticos e arqueológicos — se entrelaçam para formar uma visão integrada sobre os ciclos da vida, a fertilidade e a perpetuação da humanidade.

11 de maio – Apoio à Aldeia Mymba Roká (Amaral)

No mesmo dia em que realizei as observações no Dólmen da Oração, recebi uma solicitação de ajuda da aldeia Mymba Roká, localizada no Amaral.

Rapidamente mobilizei as redes sociais e a resposta foi imediata: conseguimos reunir roupas de cama, banho, agasalhose também recursos financeiros para a compra de 100 quilos de frango.

As entregas dessa campanha solidária aconteceram em duas etapas:

  • 27 de maio – primeira entrega, com roupas e alimentos.
  • 28 de junho – segunda entrega, realizada com a participação de Amélia Padoan, ampliando o alcance da ação comunitária.

Esse gesto de solidariedade reforça a integração entre as atividades de arqueoastronomia, meio ambiente e ação social, mostrando que a preservação cultural e a ciência cidadã caminham lado a lado com o apoio às comunidades tradicionais.

1º de junho – Teste de Acessibilidade na Trilha Dólmen da Oração

Recebemos a visita de Rafael Giga, pessoa com grau elevado de deficiência visual, que realizou a trilha do Dólmen da Oração e deixou seu depoimento sobre as condições de acessibilidade.

A trilha havia sido preparada com corrimão de corda, além de degraus de madeira e pedras, com o objetivo de ampliar a segurança e a acessibilidade para pessoas de todas as idades, em especial aquelas com deficiência visual. Rafael foi o primeiro visitante a percorrê-la após a conclusão dessas obras de adaptação.

Em seu relato, ele destacou que não encontrou grandes dificuldades de locomoção, elogiando a estrutura implantada. Como sugestão de melhoria, recomendou a instalação de corrimãos em ambos os lados da trilha até o topo do morro, para ampliar ainda mais a segurança.

Esse momento marcou um passo importante no compromisso de tornar a Trilha do Dólmen da Oração um espaço inclusivo, onde a experiência arqueoastronômica, cultural e natural possa ser vivida por todos.

  1. Interpretação Final
    • A experiência reforça que a acessibilidade não é apenas física, mas também simbólica: significa permitir que todos tenham acesso ao conhecimento, à cultura e à natureza.
    • Representa um passo significativo para consolidar a Trilha do Dólmen da Oração como referência de turismo comunitário inclusivo e sustentável.

6 de junho – Costão do Santinho com Emerson Veloso

A convite do pesquisador Emerson Veloso, visitamos o Costão do Santinho para realizar aerofotogrametria de um monumento que ele interpreta como tendo a forma de uma tartaruga, figura recorrente em diversos monumentos megalíticos no Brasil.

Emerson Veloso foi um dos primeiros pesquisadores a criar a página “Brasil Megalítico” no Facebook, divulgando fotos de monumentos de várias regiões do país, o que chamou minha atenção para a relevância desses sítios na pesquisa que desenvolvo.

Atualmente, mantemos uma parceria de pesquisa, na qual cedi uma impressora 3D para que Veloso possa gerar miniaturas de megálitos a partir das fotos capturadas por drone. Ele vem se especializando no uso de programas 3D, permitindo que possamos montar uma coleção de miniaturas dos monumentos megalíticos. Parte dessas miniaturas está sendo vendida na loja do receptivo da Trilha do Dólmen da Oração, gerando recursos para financiar nosso projeto de pesquisa.

Durante a visita, também registramos, por meio de reels, a situação de depredação da principal gravura rupestre do Costão do Santinho, onde pessoas sem cuidado riscavam a pedra sobre a gravura. Esse registro reforça a importância da conscientização e proteção do patrimônio arqueológico.

Significado da Tartaruga como Símbolo Megalítico

  • A tartaruga é frequentemente associada a longevidade, estabilidade e relação com a terra e a água.
  • Nos contextos megalíticos, pode representar cosmovisão ancestral, marcando ciclos naturais ou espirituais.
  • Sua presença em monumentos brasileiros evidencia uma linguagem simbólica compartilhada, possivelmente relacionada a conceitos de proteção, fertilidade e continuidade da vida.
  • Depredação das Gravuras Rupestres
    • Durante a visita, constatou-se adepredação da gravura principal, causada por riscos feitos com pedras.
    • Este registro evidencia avulnerabilidade do patrimônio frente à ação humana e reforça a necessidade de conscientização, proteção e fiscalização.
    • A divulgação em reels cumpre um papel educativo, alertando o público sobre o respeito ao patrimônio cultural e a importância de preservar esses registros ancestrais.

9 de junho – Lua Cheia na Plataforma Arqueoastronômica

No dia 9 de junho, ao chegar em casa, percebi que a lua estava nascendo atrás do terreno. Subi imediatamente à Plataforma de Observações Arqueoastronômicas e realizei uma transmissão ao vivo para registrar o fenômeno.

A observação revelou que a lua nascia atrás do morro, na direção do Dólmen da Oração, confirmando que, para quem se posiciona na plataforma, o dólmen funciona como ponto de referência para o alinhamento do limite máximo da lua no hemisfério sul (lunistício maior).

Esse registro reforça a função do dólmen como marco astronômico para observação lunar, complementando os estudos já realizados sobre os ciclos solares e cósmicos da região.

Aspectos Simbólicos e Culturais

  • A lua cheia representa plenitude, renovação e ciclos da vida, reforçando a dimensão ritual do dólmen.
  • Sua observação a partir da plataforma reforça a conexão entre paisagem, monumento e céu, consolidando o local como um observatório ancestral funcional.

10 de junho – Solstício próximo no Dólmen da Oração

No dia 10 de junho, o sol amanheceu praticamente alinhado com o Dólmen da Oração, estando a menos de 1 grau de seu ponto solsticial.

Aproveitei o momento para realizar mais uma transmissão ao vivo, trazendo uma reflexão sobre a lenda da Gralha Azul. Segundo a tradição, a gralha, originalmente um corvo preto, recebeu um manto azul por ser uma das semeadoras da araucária, reforçando a conexão entre natureza, mito e conhecimento ancestral.

O alinhamento solar e a narrativa da gralha destacam a importância do dólmen não apenas como marco astronômico, mas também como espaço de memória cultural e simbólica, integrando ciclos naturais, observação astronômica e mitologia local.

  1. Aspectos Interpretativos
    • O registro demonstra que o dólmen não serve apenas a funções práticas de medição solar, mas também como marco de memória cultural, capaz de educar e inspirar por meio de histórias e lendas.
    • A transmissão ao vivo fortalece a conexão entre ciência cidadã, preservação do patrimônio e divulgação cultural, tornando o conhecimento acessível e experiencial.
  2. Conclusão Arqueoastronômica e Cultural
    • O evento confirma a importância do Dólmen da Oração como espaço de observação astronômicasímbolo cultural e instrumento de educação popular.
    • A integração entre o alinhamento solar e a lenda da Gralha Azul evidencia a dimensão holística do sítio, unindo tempo, mito e natureza.

12 de junho – Praia Mole e Ponta do Meio

No dia 12 de junho, visitei a Praia Mole para verificar e registrar informações sobre a formação rochosa no canto esquerdo da praia, denominada Ponta do Meio. Desde o início dos anos 1990, identificamos na silhueta da pedra o que chamamos de “índio”.

Durante a visita, comentei em reels sobre o movimento de preservação SOS Praia Mole, destacando o pedido de Cezar Augusto para elaborar um parecer sobre as riquezas arqueológicas da praia. Ao apresentar uma foto do nascer do sol com a Ponta do Meio ao fundo, confirmamos a silhueta do índio, o que originou a lenda “Índio e Dragão”. Posteriormente, um grupo musical Banda Da Aranha lançou uma música mencionando na estrofe:

“… de um lado o dragão e do outro o lado o índio …” Tribo da Lua –

Outro destaque foi a observação do pesquisador e matemático Robert Grant, que esteve na Praia Mole, no espaço AVIVA, participando de uma conferência. Ele notou uma semelhança de alinhamento entre:

  • Dragão (Ponta do Gravatá)
  • Índio (Ponta do Meio)
  • Dólmen da Oração (Morro da Galheta)

Grant comparou este alinhamento com o Cinturão de Órion (três Marias), sugerindo que a posição das formações rochosas e monumentos pode refletir influências astronômicas ou simbólicas na paisagem.

A Ponta do Meio e seu alinhamento com outros pontos do território refletem uma interligação entre astronomia, mito e memória cultural, tornando a paisagem não apenas visualmente significativa, mas também astronômica, simbólica e educativa.

13 de junho – Publicação do vídeo “Arqueoastronomia em Santa Catarina”

No dia 13 de junho, publicamos o vídeo “Arqueoastronomia em Santa Catarina”, produzido com o objetivo de integrar o processo de registro no IPHAN, solicitando o reconhecimento dos monumentos megalíticos do Brasil.
O vídeo documenta observações, alinhamentos e pesquisas, servindo como registro visual e didático da importância arqueoastronômica e patrimonial dos sítios megalíticos do estado.

14 de junho – Observação do nascer do sol no Sambaqui Ponta das Almas

No dia 14 de junho, antes de apresentar nosso trabalho de conclusão de curso no SENAC de Palhoça, visitamos o Sambaqui Ponta das Almas.
Registramos o nascer do sol já em posição de solstício de inverno, a partir da ponta norte do Morro da Galheta, alinhado na direção da Pedra do Frade.

Essa observação reforça a continuidade do registro dos ciclos solares na região, confirmando a relevância do Morro da Galheta e de seus monumentos megalíticos como marcadores astronômicos e culturais.

Os dois registros juntos demonstram como pesquisa, documentação audiovisual e observação astronômica se complementam, fortalecendo a legitimidade científica e cultural do estudo dos monumentos megalíticos de Santa Catarina.

Evidenciam também a importância da integração entre campo, tecnologia e divulgação, garantindo que o conhecimento seja preservado e transmitido para diferentes públicos

17 de junho – Nascer do Sol de Inverno no Índio (Praia Mole)

No dia 17 de junho, retornei à Praia Mole e realizei uma transmissão ao vivo mostrando o nascer do sol sobre a formação rochosa conhecida como Índio.
O amanhecer foi marcado por cores vibrantes típicas da Ilha da Magia, criando um cenário de grande beleza natural e simbólica.

Durante a live, também divulgamos a chamada para a atividade do dia 20 de junho, incentivando a participação do público nas observações arqueoastronômicas e culturais planejadas para o solstício de inverno.

O amanhecer sobre o Índio simboliza a interação entre fenômenos astronômicos, paisagem e memória cultural, reafirmando o valor do sítio como referência arqueoastronômica, educativa e simbólica.

A atividade reforça que a observação do sol e das formações naturais é uma ferramenta poderosa para educação, preservação e engajamento comunitário.

19 de junho – Abertura da Semana da Arqueoastronomia em Florianópolis

No dia 19 de junho, começou a Semana da Arqueoastronomia em Florianópolis. Iniciei o dia na Ponta do Gravatá, registrando o alinhamento em um orifício na cabeceira oeste da Cama, como parte das observações arqueoastronômicas da região.

Em seguida, retornei rapidamente para casa para finalizar etapas da reforma do Memorial da Pesca, que foi concluída a tempo da inauguração durante a abertura do evento.

Memorial da Pesca nasceu da necessidade de preservar o barco Marisca, adquirido por meus amigos Francisco José Peixoto e Sérgio Goetz em 1986. Foi com este barco que iniciei minhas pesquisas em pesca, coleta de marisco e arqueologia subaquática, até o naufrágio em 2006 nas Ilhas das Irmãs, Barra Sul da Ilha de Santa Catarina.

O barco foi instalado sob uma cobertura adequada e sobre um deck com molas, proporcionando ao visitante a interação com o espaço, assistindo a um vídeo sobre a última navegação e o naufrágio. Nas paredes do memorial foram dispostos equipamentos de pesca em vitrines e réplicas em impressão 3D dos principais monumentos megalíticos do Morro da Galheta e da Ilha de Santa Catarina.

Durante a abertura, Victor Sussekind realizou uma apresentação introdutória sobre Arqueoastronomia, destacando o valor científico e cultural do evento.

Também esteve presente Ligia Cleia Casas Rosenbrock, que, através da UFSC e UNIPAZ, promoveu um manifesto para colher assinaturas, integrando o pedido de reconhecimento dos Monumentos Megalíticos já registrados no IPHANLink do formulário de assinatura.

Aspectos Sociais e Comunitários

  • A presença de Victor Sussekind e a introdução à arqueoastronomia aproximam a comunidade da ciência e do patrimônio.
  • A participação de Ligia Cleia Casas Rosenbrock, promovendo o manifesto e coleta de assinaturas, evidencia o engajamento comunitário na preservação e reconhecimento oficial dos monumentos megalíticos do IPHAN.
  • O evento integra educação, ciência cidadã e mobilização social, fortalecendo a valorização do patrimônio e da cultura local.

20 de junho – Visita ao Sambaqui com Loba Guará e Salka Munay

No dia 20 de junho, apesar da chuva, mantive meu compromisso de visitar o Sambaqui acompanhado de Loba Guará e Salka Munay, em respeito aos nossos ancestrais. As condições climáticas impediram a visualização do nascer do sol, mas o clima de encanto e paz do sítio proporcionou um estado de satisfação espiritual, transcendendo a compreensão humana.

Durante a visita, observou-se que o sítio encontra-se abandonado, embora um banner peça a colaboração da comunidade para sua conservação. As oficinas líticas foram destruídas por fogueiras feitas sem controle sobre as rochas, e as raízes das árvores bracatinga estão entrelaçando os esqueletos dos sambaquianos ali sepultados.

À margem da lagoa, destaca-se um “trono” de pedras, construído com pequenas pedras apoiadas umas nas outras, evidenciando intencionalidade humana. Inicialmente, surpreendeu-me o fato do trono estar de costas para o leste, mas ao observar tradições Guarani, percebi que o chamã/pajé também se posiciona de costas para o leste.

Essa orientação simboliza a recepção de iluminação pelo amanhecer, permitindo que o iluminado (conhecedor da mecânica celeste e de seus efeitos no cotidiano) se torne representante dos astros, transmitindo o conhecimento aos ouvintes posicionados de frente para o leste.

O sítio é um dos poucos remanescentes da Ilha, especialmente à beira da lagoa, carecendo de uma estrutura turística sustentável para sua preservação. A posição espacial estratégica do sítio permite:

  • acompanhar o solstício de inverno na direção da Pedra do Frade, Costão da Barra da Lagoa;
  • observar os equinócios a partir do meio do Morro da Galheta;
  • acompanhar o solstício de verão na ponta sul do morro;
  • registrar os movimentos lunares em seus lunistícios e o ciclo das Plêiades em seus pleistícios, com periodicidade de 13 mil anos.

O local evidencia a conexão entre astronomia, cultura ancestral e paisagem, reforçando a necessidade de preservação, estudo e valorização turística sustentável deste patrimônio único.

Conclusão Interpretativa

  • O Sambaqui, apesar do abandono, constitui um patrimônio único e estratégico para arqueoastronomia e cultura ancestral.
  • O registro reforça a necessidade de ações de preservação, valorização e educação, integrando turismo sustentável, ciência cidadã e espiritualidade.
  • Este sítio é um elo entre conhecimento ancestral, astronomia prática e patrimônio cultural, merecendo atenção e proteção imediata.

21 de junho – Solstício de Inverno na Trilha Dólmen da Oração

No dia 21 de junho, o céu se abriu proporcionando aos participantes da atividade de Solstício de Inverno um espetáculo natural, permitindo confirmar os alinhamentos arqueoastronômicos nos sítios Dólmen da Oração e Pedra Virada.

Dólmen da Oração é atualmente um dos sítios megalíticos do Brasil que consegue reunir maior quantidade de pessoas para observar eventos de solstícios e equinócios.

Há muitos anos venho chamando a atenção das comunidades para o fato de que a Ilha de Santa Catarina está cercada de monumentos megalíticos, que necessitam ser estudados, valorizados e protegidos. Milhares de pessoas já participaram de palestras e conversas no Morro da Galheta, em escolas, universidades, museus e eventos, ampliando o conhecimento sobre o patrimônio arqueológico e astronômico local.

Durante a atividade, foram promovidos momentos de meditação com sons de healing, conduzidos por Victória Bernardi e Victor Sussekind, da Sagrada Sinfonia, proporcionando interação entre os participantes, o meio ambiente e a conexão com o espaço.

Observação Arqueoastronômica

  • O céu limpo permitiu visualizar os alinhamentos solares do solstício de inverno nos sítios Dólmen da Oração e Pedra Virada.
  • Esses alinhamentos reforçam a função dos monumentos como marcos de observação astronômica, conectando paisagem, arquitetura megalítica e ciclos solares.
  • O evento confirma que o sítio é adequado para registro de fenômenos astronômicos em grande escala, permitindo estudos comparativos e educacionais.

Conclusão Interpretativa

  • A atividade do solstício evidencia a interação entre astronomia, patrimônio megalítico e comunidade, mostrando como os sítios podem servir como plataformas de conhecimento, cultura e espiritualidade.
  • Reforça-se a importância de preservar, estudar e divulgar os monumentos da Ilha de Santa Catarina, garantindo que memória, ciência e experiência comunitária se mantenham integradas

22 de junho – 67ª Caminhada Arqueoastronômica

No dia 22 de junho, estava programada a 67ª Caminhada Arqueoastronômica, com a presença do líder indígena Karai Vydju, da aldeia Mynba Roká. No entanto, as condições climáticas não permitiram a realização do evento.

O registro ressalta que os povos originários do Brasil perderam, em grande parte, a conexão com os antigos saberes gravados nas rochas das montanhas e do litoral. À medida que foram dispersos de seus habitats naturais, distanciaram-se de seus recursos de comunicação com a ancestralidade e com a natureza.

Apesar disso, acredita-se que é possível recuperar essas memórias ancestrais, e quando os povos originários são chamados a participar, ocorre uma recuperação coletiva da sabedoria destinada a todos nós. Como reflexão: “Nós somos eles e eles são nós; não podemos nos dissociar uns dos outros”, reforçando a interdependência entre cultura, ancestralidade e comunidade.

Conclusão Interpretativa

  • O cancelamento do evento não diminui o valor simbólico e cultural da atividade, que se mantém como instrumento de reconexão com os saberes ancestrais.
  • A prática demonstra que arqueoastronomia, cultura indígena e educação comunitária podem ser integradas, mesmo diante de obstáculos, fortalecendo a identidade cultural e a preservação do patrimônio material e imemorial.

23 de junho – Live com o Arqueólogo Juan Neri

No dia 23 de junho, realizamos uma Live com o arqueólogo Juan Neri, que vem estudando um sítio megalítico em Sete Cidades, no Piauí, denominado por ele como Sol do Pajé.

Juan Neri mencionou que, em sua dissertação de mestrado em arqueologia, citou nossos estudos em Florianópolis. Ele também já nos visitou durante o solstício de verão, quando se mostrou intrigado com a falta de reconhecimento dos sítios megalíticos da Ilha por parte do IPHAN.

A live possibilitou troca de experiências e conhecimentos entre pesquisadores, fortalecendo a rede nacional de estudo de monumentos megalíticos e a visibilidade científica dos sítios da Ilha de Santa Catarina.

Conclusão Interpretativa

  • A troca de experiências com Juan Neri demonstra que os monumentos megalíticos da Ilha de Santa Catarina têm relevância nacional e são parte de um patrimônio arqueológico brasileiro pouco reconhecido.
  • Eventos como a live contribuem para a visibilidade científica, proteção e preservação dos sítios, integrando educação, pesquisa e conscientização patrimonial.

24 de junho – Pôr-do-Sol no Forte Santana

Semana da Arqueoastronomia foi encerrada em grande estilo no dia 24 de junho, com um evento no Forte Santana, localizado sob a ponte Hercílio Luz.

Durante o encontro, foi feita uma reflexão sobre os povos que habitaram a ilha antes da chegada dos colonizadores europeus, destacando a importância do estreito de água e da passagem mais próxima para o continente. Os participantes puderam observar o ponto exato em que o sol se põe no solstício de inverno, reforçando a conexão entre paisagem, astronomia e história.

O evento ocorreu em parceria com a Associação Wakamiya Maru, que pesquisa e difunde informações sobre a chegada de náufragos japoneses em Florianópolis, provenientes de um navio russo. A passagem e os relatos deixados pelos náufragos acrescentam informações históricas valiosas sobre a ilha de Santa Catarina, permitindo compreender melhor os costumes e a sociedade da época.

Interpretação Histórica

  • A observação foi contextualizada com a ocupação humana da ilha antes da colonização europeia, destacando a importância estratégica do estreito de água e da passagem para o continente.
  • A parceria com a Associação Wakamiya Maru trouxe informações sobre náufragos japoneses em navio russo, ampliando o conhecimento sobre história marítima e cultural da ilha.

Conclusão Interpretativa

  • O pôr-do-sol no solstício de inverno serviu como instrumento de ensino e reflexão, conectando astronomia, história, cultura e paisagem.
  • O evento reforça a importância da integração entre patrimônio natural, arqueológico e histórico, permitindo ao público vivenciar e compreender os múltiplos aspectos da ilha de Santa Catarina.

26 de junho – Novas Percepções de Entusiastas da Arqueoastronomia em Santa Catarina

No dia 26 de junho, antes da mudança de tempo, fui a Itaguaçu a convite de Tina e Augusto, da Canoa Havaiana – Quebra Mar, para realizar um passeio pela Baía de Coqueiros e Itaguaçu. Durante a atividade, tive o privilégio de acompanhar o nascer do sol, ainda em solstício de inverno, proporcionando um espetáculo de luz e cores. O sol surgiu entre as pedras de fora de Itaguaçu, evidenciando alinhamentos naturais significativos.

Observou-se que uma rocha apoiada sobre uma base maior, com duas pedras menores ao lado servindo de encosto, apresenta alinhamento com a Pedra do Caju, preservada dentro da sede da Associação Banco do Brasil (ABB) e visível sobre o telhado.

Durante a transmissão ao vivo da atividade, Isaque Borda comentou: “Nuvem vermelha no sol nascendo, traz fortes chuvas ao sol morrendo”. A previsão se confirmou, pois logo após chegarmos ao porto, iniciou a chuva vinda das montanhas a oeste.

Além disso, Augusto e Tina chamaram a atenção para a presença de um pequeno bloco de rocha cortada ou natural, em forma piramidal, localizado a oeste do bloco principal apoiado por duas pequenas pedras nas laterais norte e oeste. Observou-se que este bloco também apresenta alinhamento com a Pedra do Caju na ABB, reforçando a relevância dos alinhamentos naturais e antropizados no local.

 Observação Arqueoastronômica

  • O nascer do sol no solstício de inverno foi observado entre as pedras de fora de Itaguaçu, permitindo registrar alinhamentos naturais e possivelmente intencionais.
  • rocha apoiada sobre uma base maior, com duas pedras menores ao lado, apresenta alinhamento claro com a Pedra do Caju na sede da Associação Banco do Brasil (ABB), reforçando a relação entre pontos astronômicos e elementos naturais.
  • bloco piramidal a oeste, observado junto ao alinhamento, sugere possível marcação adicional ou intencionalidade no posicionamento das pedras, indicando um conhecimento avançado de orientação e alinhamento celeste.

5 de julho – Pata de Dinossauro na Prainha da Barra da Lagoa

No dia 5 de julho, antes do lançamento do livro “Guardiões do Patrimônio” na Barra da Lagoa, visitei o sítio arqueológico da Prainha, para verificar o estado das oficinas líticas e da Pata de Dinossauro, descoberta por Dona Hercília do pátio de sua casa.

Durante a visita, realizei uma Live, que contou com interações significativas do público, destacando a importância do sítio e a necessidade de preservação.

Foi observado que um morador estava escavando nas proximidades do sítio, comprometendo a integridade do patrimônio arqueológico. Foram feitas denúncias formais ao IPHAN e à FLORAN, e o morador que se sentiu ameaçado pela pessoa que escavava procurou ajuda. Até o momento, não houve retorno efetivo do IPHAN.

Ao lado da Pata de Dinossauro, há também uma oficina lítica preservada, porém completamente abandonada e depredada, reforçando a necessidade urgente de proteção, fiscalização e valorização do sítio.

Conclusão Interpretativa

  • O sítio da Prainha, com a Pata de Dinossauro e as oficinas líticas, é um patrimônio vulnerável, mas de extrema relevância científica e cultural.
  • A preservação do local depende de ação comunitária, fiscalização e reconhecimento institucional, reforçando a importância da educação, denúncia e engajamento social para a proteção de sítios arqueológicos em Santa Catarina.

Projeto Guardiões do Patrimônio – Lançamento do Livro

Projeto Guardiões do Patrimônio foi aprovado em 2023 pela Fundação Catarinense de Cultura, por meio do Prêmio Elizabeth Anderli de Estímulo à Cultura. Tive o privilégio de integrar a equipe de organização do projeto.

No livro publicado, relato minha história de pesquisa nas páginas 19 a 26, incluindo o acompanhamento de estudantes da Escola da Barra da Lagoa na trilha Dólmen da Oração, ilustrado com fotos e textos nas páginas finais do livro.

lançamento do livro foi realizado sob a ponte pênsil, cujo pé de suporte da ponte se apoia sobre uma das oficinas líticas mais importantes do Estado de Santa Catarina, possivelmente com relevância internacional. Essa oficina apresenta brunidores circulares aglomerados e conservados no granito, mas infelizmente sofre com passagem de pessoas pisando sobre o local, além de cimento e fragmentos de pedras sobre a oficina, comprometendo sua preservação.

Durante o evento, a comunidade pôde se expressar, por meio de falas, músicas, poesias e artesanatos, fortalecendo a valorização cultural e a participação social na preservação do patrimônio.

Interpretação Cultural e Educacional

  • O lançamento do livro proporcionou a divulgação da pesquisa e sensibilização cultural junto à comunidade local.
  • A participação de estudantes da Escola da Barra da Lagoa na trilha do Dólmen da Oração demonstra educação patrimonial ativa, fortalecendo o vínculo entre juventude e patrimônio histórico.
  • O livro e o evento funcionam como instrumentos de transmissão de conhecimento, valorizando tanto a história local quanto os monumentos arqueológicos da região.

Visita Técnica na Trilha das Piscinas Naturais – IMMA

A equipe técnica do IMMA, responsável pela elaboração do Projeto de Políticas Públicas, realizou uma visita à Trilha das Piscinas Naturais, onde em 2017 foi realizada a revitalização da trilha, incluindo o corte de cerca de 30.000 árvores de pinus elliottii.

O objetivo da visita foi verificar o estado atual da trilha e avaliar como se deu a restauração da mata nativa.

Observações sobre a trilha:

  • Falta de manutenção evidente, com corrimãos arrancados, desvios de água não mantidos, causando erosão;
  • Um dos corrimãos da ponte quebrado e jogado no córrego;
  • Todas as placas estão pichadas, evidenciando descaso com a infraestrutura e com recursos públicos.

Observações sobre a restauração da vegetação:

  • Houve grande progresso da mata nativa, que atualmente domina a região;
  • Entretanto, ainda há necessidade de corte dos pinus em fase de crescimento, nascidos ou pequenos em 2017, para evitar competição com a vegetação nativa e garantir a consolidação do ecossistema restaurado.

Conclusão Interpretativa

  • A Trilha das Piscinas Naturais é umexemplo de sucesso da restauração ambiental, mas está vulnerável à degradação devido à falta de manutenção.
  • A continuidade da gestão integrada entre órgãos públicos, pesquisadores e comunidade local é essencial para proteger o patrimônio ambiental, garantir a segurança dos visitantes e preservar a riqueza ecológica restaurada.

Outras Observações no Solstício de Inverno

Pinheira – Relatos de Evandro Salvaro

Em dezembro de 1992, atravessei da Pinheira para a Guarda do Embaú, contornando o costão, e observei o pôr do sol do solstício de verão por baixo de uma pedra que acredito ter sido colocada intencionalmente para propósitos astronômicos.

Mais de 30 anos depois, em uma saída ao Cambirela, pertencente à Unidade de Conservação Serra do Tabuleiro, encontrei com Evandro Salvaro. Eu estava numa busca por um grande menir naqueles cumes, que eu vinha visualizando a partir das cabeceiras insulares das pontes que ligam a Ilha de Santa Catarina ao continente.

Evandro, que acompanhava meus vídeos no YouTube, me reconheceu no alto do Cambirela. Conversamos sobre o menir que eu buscava e, a partir disso, ele se dispôs a procurar mais informações na região. Desde então, tem compartilhado registros e observações, alguns deles reproduzidos abaixo.

“Bom dia, professor Adnir Ramos, tudo bem? Por aqui tudo certo, graças a Deus. Quero agradecer pela oportunidade de participar do seu evento da Semana da Arqueoastronomia. Foi muito lindo conhecer o Dólmen da Oração e fiquei impactado com a beleza do local e a quantidade de monumentos agrupados numa mesma região. A precisão deles é impressionante.

Hoje de manhã estive na Guarda, no canto sul da prainha, e consegui registrar o sol passando entre as pedras do monumento que você indicou. Foi emocionante.”

Resposta – Adnir Ramos

“Bom dia, meu amigo! Que registro lindo! Você percebeu que nessa imagem aparecem três pontos de luz formando uma triangulação? Divino! Muito obrigado por compartilhar.”

26/06/2025 – Evandro Salvaro

“Quase não fui observar hoje, pois o tempo marcava chuva. Mas chegando lá fui agraciado com um arco-íris acima do monumento. Foi muito interessante.
Vi também sua postagem na canoa havaiana e achei incrível termos observado o mesmo evento em lugares diferentes, mas conectados pelo mesmo propósito.”

Resposta – Adnir Ramos

“Nossa, que presente você me deu novamente! Muito obrigado, de coração. Vou ver se consigo passar por aí e talvez façamos uma live juntos no próximo amanhecer.”

06/07/2025 – Evandro Salvaro

“Hoje foi o nascer do sol que melhor se enquadrou por entre as pedras deste ponto de observação na Guarda do Embaú.
Das 07h20 às 07h37 o sol atravessou a fenda principal, depois passando por uma abertura menor ao lado. Do vão principal avistam-se as ilhas Moleques do Sul. Em alguns dias, o sol deverá se alinhar perfeitamente neste ponto.”

31/07/2025 – Evandro Salvaro

“Boa noite, meu amigo. Estamos acompanhando sua expedição pela Serra da Mantiqueira, que está sendo emocionante. Lindas as formações que você tem encontrado.

Quero agradecer por ter me indicado ao pesquisador Sílvio Adriani. Já estamos em contato e conversando sobre o menir do Cambirela. Quem sabe organizamos uma expedição juntos. Aproveito para enviar algumas imagens da minha última subida.”

09 de Agosto de 2025 – Evandro Salvaro

“Bom dia, professor! Seja bem-vindo de volta à sua terra e ao seu espaço. Amamos acompanhar sua expedição pelas montanhas e os monumentos revelados: a Pedra do Osso, a Caixa de Fósforo e o Cão Sentado.

Hoje pela manhã, na prainha da Guarda do Embaú, registrei o nascer do sol entre as pedras. O contorno me revelou a forma de um pássaro. Foi um momento emocionante e de grande conexão.

Sempre busco me sintonizar com os conteúdos das suas pesquisas, e isso me trouxe a mais esta revelação. Gratidão pelos ensinamentos e por essa bênção compartilhada.”

No dia 09 de agosto estávamos na metade do inverno, o mesmo ponto em que o Sol se encontra na metade do equinócio de outono. Nessa ocasião, Evandro realizou novos registros, que revelaram mais uma descoberta em um ponto estratégico entre a Pinheira e a Guarda do Embaú. Trata-se de uma região marcada por importantes vestígios arqueológicos relacionados aos povos originários, evidenciados pela presença de sambaquis — muitos já destruídos —, além de gravuras rupestres e oficinas líticas que atestam a longa ocupação humana e sua relação com a paisagem e os ciclos celestes.

Nota de Contexto

As contribuições de Evandro Salvaro representam um exemplo valioso de ciência cidadã aplicada à arqueoastronomia. Seus registros fotográficos e observações complementam as pesquisas acadêmicas e evidenciam a importância do envolvimento comunitário na preservação e interpretação dos monumentos megalíticos da região.

Descobertas em Bombinhas – Praia da Conceição

Outras duas descobertas relevantes aconteceram em Bombinhas.

A primeira partiu de uma observação feita por um empresário de São José dos Pinhais (PR), João Alberto Prendim Gontarski, que passeava com seu filho na Praia da Conceição. Durante o passeio, algumas rochas chamaram sua atenção pelo modo como estavam posicionadas. João, que acompanha meu trabalho pelo Instagram, enviou-me fotos e vídeos por direct.

Após analisar o material e utilizar o Google Earth, percebi que as pedras estavam sobrepostas a outras, orientadas em direção ao ocaso do solstício de inverno. Como João mora longe e não poderia estar presente para acompanhar o pôr do sol dessa data, entrei em contato com Gabriel Furtado, que já desenvolve pesquisas sobre os movimentos dos astros no Observatório Arqueoastronômico localizado no topo do Morro do Macaco. Também solicitei apoio a Marcos Pinheiro, mas ele estava em pesquisa no Nordeste brasileiro.

Segue, em anexo, o registro fotográfico das observações.

O Despertar Coletivo e a Descoberta no Morro do Macaco

Um dos aspectos mais fascinantes desse processo é observar o despertar das pessoas que acompanham nossas pesquisas pelas redes sociais. Isso tem gerado uma percepção coletiva que atravessa diferentes áreas do conhecimento, das artes e da espiritualidade, religando o ser humano à natureza e à sua ancestralidade.

Um exemplo marcante vem de Gabriel Furtado. Após participar de uma vivência no solstício, no Dólmen da Oração, lembrou-se do que seu tio havia mencionado sobre uma pedra com um orifício no topo do Morro do Macaco. Ao investigar, constatou que o alinhamento do furo na rocha aponta exatamente para o meio dia solar no solstício de inverno.

Gabriel redigiu um relatório sobre sua descoberta e apresentou no IMMA, que julgou pertinente publicá-lo no site Arqueoastronomia.com.br.

Além de suas contribuições acadêmicas, Gabriel também levou sua experiência em arqueoastronomia para o campo artístico: pintou um mural em um bar de Bombinhas, posteriormente publicado no Instagram. Trata-se de uma das obras mais completas já produzidas sobre o tema, representando o cotidiano dos povos originários. Nela, mesclam-se referências às gravuras rupestres, alinhamentos astronômicos, sambaquis, oficinas líticas, zoólitos, cavernas, adereços corporais, gestos humanos, além do movimento das águas, da luz e das cores – em uma composição que desafia a imaginação e o senso comum.

Segue em anexo de fotos das observações e print do post no Instagram.

Observação em Quatro Ilhas – Bombinhas

Outra importante observação foi realizada por Carlo Eduardo Malaquias, pesquisador cultural, pescador e Conselheiro de Cultura Popular. Há alguns anos, ele já havia nos convidado para conhecer determinados locais de interesse, como grutas que chamavam sua atenção em Quatro Ilhas.

Neste solstício de inverno, tive o privilégio de receber as fotos do registro feito por Carlo na Toca do Cabo, justamente na virada da estação. Essa contribuição reforça a importância de pesquisadores locais e guardiões da memória cultural, que, ao unir conhecimento tradicional e olhar sensível, revelam aspectos pouco explorados da arqueoastronomia em nosso litoral

Registro do Solstício de Inverno no Dólmen do Morro do Barão – Antônio César Tomasi

Outra observação significativa foi realizada por Antônio César Tomasi, empresário de Nova Trento, que subiu o Morro do Barão no dia 22 de junho para registrar o solstício de inverno no gigantesco Dólmen localizado no topo da montanha.

Tomasi, que acompanha os vídeos publicados no YouTube, enviou imagens e relatos detalhados de suas impressões durante a experiência. Segundo ele, o alinhamento do solstício ocorre dentro do abrigo formado pelas pedras, permitindo observar os primeiros raios solares através de aberturas específicas.

Em suas palavras:

“A ponta da pedra grande da esquerda foi quebrada e deslocada para dentro, criando o ângulo que possibilita a visualização do solstício de inverno. Já o buraco à direita parece marcar os equinócios. Além disso, há uma pedra em ângulo que forma outra abertura, que acredito estar relacionada ao equinócio de verão.”

Com essa interpretação, Tomasi sugere que o monumento poderia ter múltiplos pontos de observação, marcando não apenas o solstício de inverno, mas também os equinócios e até o solstício de verão.

Ele acrescenta ainda uma reflexão pessoal:

“É sempre bom estar nessas datas de troca de estações, pois nossa mente se conecta com o espaço e vamos recebendo iluminação — conhecimento.”

Além de suas contribuições empíricas, Tomasi destacou que atua como empresário, produzindo equipamentos táticos (torniquetes, porta-torniquetes e macas de resgate). Esse dado é importante, pois reforça a noção de que a Arqueoastronomia é uma ciência cidadã, aberta à participação de pessoas de diferentes áreas profissionais e formações.

Outros Registros Relevantes – Solstício de Inverno 2025

1. Golfinho da Beira-Mar – Florianópolis (SC)

  • Observador: Emerson Veloso (arqueoastrônomo)
  • Registro:
    • Alinhamento sob a barbatana peitoral do “Golfinho da Beira-Mar” marca osolstício de verão e também o ocaso da lua cheia no solstício de inverno.
  • Interpretação: O monumento natural funciona como marcador astronômico duplo, reforçando a relação entre ciclos solares e lunares.
  • Relevância: Demonstra a sofisticação dos pontos de observação da paisagem cultural de Florianópolis.

2. Pedra do Boneco e Pedra do “I” – Itaguaçu, Florianópolis (SC)

  • Observador: Emerson Veloso
  • Registro:
    • Identificação de alinhamentos arqueoastronômicos em Itaguaçu, considerado um dos maiores centros megalíticos da Ilha.
  • Interpretação: O local apresenta múltiplos monumentos com possíveis funções rituais e astronômicas.
  • Relevância: Apesar da magnitude do sítio, o patrimônio segue despercebido pela sociedade e ignorado pelos órgãos oficiais de proteção.

3. Pesquisa de Ângela Galletta – Itaguaçu (Florianópolis, SC)

  • Perfil: Jornalista e pesquisadora, atua desde 1993 na investigação dos monumentos de Itaguaçu.
  • Registro:
    • Em artigo na Revista Terra, descreveu os blocos de até 6 metros de altura, estrategicamente posicionados na areia e no mar.
    • A disposição das pedras lembra sítios megalíticos internacionais, como Stonehenge.
  • Citação:

“Há algo de instigante nas pedras da Praia de Itaguaçu, em Florianópolis. Grandes blocos parecem ter sido recortados e estrategicamente colocados na areia e no mar. É um enigma a ser decifrado.” (GALLETA, Revista Terra)

  • Relevância: Reforça a necessidade de aprofundar as pesquisas e valorizar Itaguaçu como patrimônio arqueoastronômico de relevância mundial.

Visita de Juan Saez e Aline Mendes – Integração com a Geobiologia

Para concluir este relatório, destacamos a visita a Florianópolis do pesquisador espanhol Juan Saez e da arquiteta Aline Mendes, ambos atuantes na área de Geobiologia.

  • Perfil dos visitantes:
    • Juan Saezé professor e pesquisador na Espanha, com reconhecida experiência em estudos sobre geobiologia e sua relação com paisagens culturais e naturais.
    • Já conhecia nossas pesquisas desde 2010, quando o aluno Alan Lopes trouxe um grupo de pesquisadores ao Dólmen da Oração.
    • A visita foi articulada com apoio dos arquitetos Toni Backes e Fernanda Yamasaki, especialistas em paisagismo, que promoveram o encontro inicial em outubro de 2024 durante viagem de pesquisa a Portugal e Espanha.
  • Atividades realizadas em Florianópolis:
    • Palestra pública e gratuita no Memorial da Pesca, com ampla participação comunitária.
    • Observação do céu noturno de inverno, integrando práticas da Arqueoastronomia e da Geobiologia.
    • Análises energéticas em pontos estratégicos do Observatório do Dólmen da OraçãoPedra Virada e Menir Central.
  • Importância da visita:
    • Estabelece um elo entre a pesquisa local e a produção científica internacional, inserindo o estudo dos monumentos megalíticos de Florianópolis em uma rede global de investigações.
    • Reforça o caráter interdisciplinar do trabalho, unindo arqueoastronomia, paisagismo, geobiologia e saberes tradicionais.
    • Abre novas possibilidades para cooperação acadêmica, intercâmbio cultural e valorização patrimonial.

Percursos de Pesquisa com Juan Saez e Aline Mendes

Durante a estada de Juan Saez e Aline Mendes em Florianópolis, apresentei a eles diversos sítios em investigação ao longo do litoral de Santa Catarina. A visita possibilitou comparações diretas com monumentos do Mediterrâneo, onde Juan desenvolve pesquisas há décadas, e ampliou a percepção sobre a singularidade e a importância dos monumentos locais.

Pedra do Frade – Florianópolis

  • A visita coincidiu com a lua cheia nascendo cerca de 5 graus ao sul do ponto solar no solstício de verão.
  • Após 40 anos de observações, foi a primeira vez em que consegui registrar, com o céu limpo, a lua posicionada entre as duas pedras do conjunto.
  • Outra descoberta significativa foi que o mesmo ponto de observação, na entrada da trilha, permite ver:
    • O nascer do sol no solstício de inverno.
    • O pôr do sol alinhado em uma fenda, na mesma entrada da trilha.

 

Ponta do Gravatá – Florianópolis

  • Durante a transmissão ao vivo realizada no local, Juan Saez afirmou que, mesmo após décadas estudando dólmens e menires na Cantábria, Galícia e Andaluzia (Espanha), nunca havia visto estruturas comparáveis às da Ponta do Gravatá.
  • Destacou a força energética, a imponência das dimensões e a clara orientação para solstícios e equinócios, considerando o local como uma obra singular no contexto mundial.

Praia Mole – Florianópolis

  • O impacto visual e energético também foi ressaltado por Juan Saez, reforçando o valor cultural e natural do sítio.

 

Itinerário pelo Litoral Sul

  • Pedra do Frade (Laguna), além de visitas aos dólmens e menires do Farol de Santa Marta, onde refiz registros fotográficos com georreferenciamento para consolidar meu banco de dados no Google Earth.

Sertão dos Correias – Pedra do Equilíbrio

  • Tentamos localizar a Pedra do Equilíbrio, mas o acesso estava bloqueado devido ao fechamento da propriedade.
  • Após longa busca, com apoio de Luiz Gustavo e do morador  Eci, conseguimos abrir caminho por uma antiga estrada coberta de vegetação.
  • Finalmente, reencontramos o menir.
  • O registro fotográfico comdrone e a postagem sobre a redescoberta alcançou 246 visualizações, 1.053 curtidas, 256 compartilhamentos e 113 comentários, evidenciando o interesse social pelo patrimônio.

Furna da Maria Becker – Abraão

  • O local estava limpo e organizado, embora ainda apresentasse pichações e lixo acumulado na furna.
  • Moradores relataram que o terreno encontra-se sob disputa judicial de partilha, sem definição sobre seu futuro.
  • Juan Saez e Aline Mendes sugeriram que o espaço poderia se tornar um Centro Integrado de Arqueoastronomia e Cultura Originária, incorporando também elementos da cultura popular local.

Considerações Finais

A realização da Semana de Arqueoastronomia em Florianópolis, durante o Solstício de Inverno de 2025, consolidou-se como um marco de integração entre ciência, cultura e comunidade. Mais do que registros técnicos e relatórios científicos, o evento foi um tempo de encontros, partilhas e revelações diante das pedras que guardam os segredos da Terra e do Céu.

As atividades propostas — caminhadas, oficinas, vivências e diálogos — permitiram não apenas a valorização dos monumentos e paisagens do Morro da Galheta, mas também a conexão simbólica com práticas ancestrais de observação do céu, tão presentes na memória coletiva da região. Cada passo nas trilhas, cada olhar lançado ao horizonte, cada fotografia e relato compartilhado foi, em essência, um fio tecido no grande manto da ancestralidade.

O envolvimento de diferentes públicos — pesquisadores, educadores, estudantes, moradores e visitantes — revelou a potência da arqueoastronomia como ferramenta educativa, espiritual e de preservação. Nesse caminho, a ciência deixa de ser apenas técnica e torna-se ponte: ponte entre povos, entre tempos, entre saberes. Une o olhar dos pesquisadores ao coração dos guardiões da cultura popular, une o silêncio milenar das rochas ao sopro renovado das novas gerações.

O êxito das ações demonstra a relevância de dar continuidade a esse trabalho, ampliando parcerias, aprofundando pesquisas e fortalecendo políticas públicas voltadas à proteção do Morro da Galheta e à difusão do conhecimento científico aliado à participação cidadã. Se algo aprendemos neste solstício é que o sagrado pulsa na simplicidade dos gestos: no pescador que compartilha seu saber, no pesquisador que traduz o mistério das estrelas, no artista que recria nas cores a memória dos povos originários.

Que este relatório, mais que documento, seja testemunho de um despertar coletivo. Que inspire a proteger, valorizar e celebrar os monumentos da Terra e do Céu, não como ruínas esquecidas, mas como faróis de sabedoria para um futuro mais consciente, em harmonia com a natureza e com a nossa ancestralidade. Assim, a Semana de Arqueoastronomia de 2025 reafirma o compromisso do Instituto Morro da Galheta (IMMA) em promover a valorização do patrimônio cultural e natural, garantindo que o legado das gerações passadas continue a inspirar caminhos de aprendizado, preservação e consciência para o futuro.