PROGRAMA DE ARQUEOASTRONOMIA E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL

PROGRAMA DE
ARQUEOASTRONOMIA E
EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Trilha Dólmen da Oração – Monumento Natural
Municipal Morro da Galheta
1. Apresentação
O Programa de Arqueoastronomia e Educação Patrimonial da Trilha Dólmen da Oração
desenvolve, de forma contínua e sistemática, atividades de observação dos ciclos
celestes no território do Monumento Natural Municipal Morro da Galheta (Mona
Galheta), em Florianópolis/SC.
Desde 2002, as ações integram observação de solstícios, equinócios, ciclos lunares,
eclipses e marcos sazonais, articulando pesquisa de campo, ciência cidadã, educação
ambiental e valorização cultural do território.
O programa estrutura um calendário anual de atividades abertas à comunidade,
consolidando o local como espaço de investigação arqueoastronômica aplicada e de
formação cultural.
2. Justificativa
A arqueoastronomia investiga as relações entre sociedades humanas e os fenômenos
celestes, analisando como o céu foi interpretado, registrado e integrado às paisagens
culturais.
O território do Mona Galheta apresenta características geográficas singulares:
• Horizonte marinho amplo
• Marcos rochosos naturais
• Eixos visuais definidos
• Ausência de barreiras artificiais significativas
Essas condições favorecem a observação precisa do nascer e pôr do Sol ao longo do
ano, permitindo verificar deslocamentos sazonais e possíveis alinhamentos naturais e
culturais.
O programa fundamenta-se na observação empírica repetida e documentada, elemento
essencial para a validação de hipóteses arqueoastronômicas.
Além do caráter científico, as atividades promovem educação patrimonial e
fortalecimento da identidade cultural, aproximando a comunidade dos ciclos naturais
que estruturam o tempo ecológico e simbólico.
3. Objetivos
3.1 Objetivo Geral
Consolidar o Mona Galheta como espaço permanente de observação
arqueoastronômica, integrando pesquisa, educação ambiental e participação
comunitária.
3.2 Objetivos Específicos
• Realizar observações sistemáticas de solstícios, equinócios e ciclos lunares;
• Documentar alinhamentos solares e variações angulares sazonais;
• Estimular a ciência cidadã por meio da participação comunitária;
• Promover educação patrimonial e valorização da paisagem cultural;
• Incentivar o diálogo intercultural com saberes tradicionais e indígenas;
• Fortalecer a conservação da Unidade de Conservação por meio da sensibilização
pública.
4. Metodologia
O programa baseia-se em:
• Observação Sistemática Anual
Realização de atividades em datas-chave do calendário solar e lunar, permitindo a
comparação de registros ao longo dos anos.
• Leitura Paisagística
Análise dos eixos visuais formados por rochas, horizontes e pontos de referência
naturais.
• Registro e Documentação
Produção de registros fotográficos, anotações de campo e relatos de observação.
• Educação Participativa
Mediação interpretativa durante as caminhadas, estimulando a compreensão dos
movimentos celestes e sua relação com o território.
• Integração Cultural
Realização de vivências sonoras, rodas de conversa e encontros com lideranças
indígenas, promovendo diálogo entre ciência, ancestralidade e cultura contemporânea.
5. Relevância Científica
O programa contribui para:
• Formação de série histórica de observações solares e lunares;
• Validação empírica de alinhamentos paisagísticos;
• Ampliação do debate interdisciplinar entre arqueologia, astronomia cultural e
antropologia;
• Produção de conhecimento aplicado em contexto de Unidade de Conservação.
O caráter contínuo das atividades diferencia o projeto de ações pontuais, estabelecendo
um processo de investigação territorial de longo prazo.
6. Impacto Comunitário e Ambiental
As atividades promovem:
• Aproximação da população com o patrimônio natural;
• Desenvolvimento da percepção ecológica e celeste;
• Fortalecimento do sentimento de pertencimento;
• Estímulo à conservação do território;
• Formação de multiplicadores culturais.
Ao transformar a observação do céu em experiência coletiva, o programa reconecta a
comunidade aos ciclos naturais e contribui para a proteção simbólica e ambiental do
Mona Galheta.
7. Resultados Esperados
• Consolidação do território como referência regional em arqueoastronomia
aplicada;
• Ampliação da participação comunitária;
• Produção de material educativo e documental;
• Fortalecimento das políticas de valorização cultural e ambiental;
• Integração entre pesquisa científica e prática comunitária.
8. Considerações Finais
O Programa de Arqueoastronomia da Trilha Dólmen da Oração constitui uma iniciativa
pioneira de leitura celeste sistemática em contexto de Unidade de Conservação
municipal.
Ao unir observação científica, vivência comunitária e valorização cultural, o projeto
reafirma que as paisagens naturais também podem ser compreendidas como paisagens
do tempo.
O céu, quando observado a partir das pedras, transforma-se em calendário.
E o território, quando vivido coletivamente, transforma-se em patrimônio.