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Relatório das expedições Científica Parte I
23 fev
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Relatório das expedições Científica Parte I

Relatório das Expedições Científicas 2017/18

Adnir A. Ramos

Florianópolis, Fevereiro de 2019

No litoral catarinense e estendendo-se para o interior do estado alguns blocos de Rochas Graníticas chamam a atenção de todos que passam nas suas imediações, curiosamente poucas pessoas buscam desvendar o mistério do posicionamento de tais megálitos. Pesquisas bibliográficas nos levam a crer que só um geólogo se ocupou do assunto enquanto escrevia seu livro sobre a geologia catarinense em 1918, General Vieira da Rosa, que em duas páginas de seu livro comentou e citou os megálitos mais evidentes de Itajaí até o Farol de Santa Marta. Essa história começou a mudar quando o pescador e estudante de Biblioteconomia, Adnir Ramos, em 1988, começou a perceber os alinhamentos arqueoastronômicos entre elas. De lá para cá os tais blocos graníticos sobrepostos a outros começaram ser estudados e percorridos por vários pesquisadores. No entanto, apesar de várias investidas aos órgãos públicos pedindo o reconhecimento como patrimônio da humanidade, por se tratar de um objeto de estudo, pouco êxito se alcançou.

Em 2002 o pesquisador Adnir Ramos resolveu construir uma trilha de acesso aos monumentos megalíticos do Morro da Galheta, na propriedade de sua família, já que alguns desses monumentos estão ali localizados. A trilha tem como objetivo principal ser um laboratório de estudo  em arqueoastronomia e turismo sustentável que gera conhecimento a cerca da existência desses sítios megalíticos, já que as autoridades  ainda não se interessaram por estudar ou preservar tais sítios arqueológicos.

Ainda em 2002, com o apoio e sensibilidade da Prefeita Ângela Amin, chegamos a fazer um levantamento de 40 megálitos no promontório Leste da bacia da Lagoa da Conceição com sistema de posicionamento global (GPS), e contratamos o PHD Dr. Germano Afonso para fazer o roteamento dos 40 pontos, confirmando a existências de alguns observatórios para solstícios e equinócios relacionados e direcionados pelos blocos graníticos dessa região que compreende as encostas  e morros desde a Barra da Lagoa até a Praia da Joaquina. https://arqueoastronomia.com.br/artigos/arqueoastronomia-em-florianopolis-2

Em 2006 um grupo de pessoas interessadas no assunto fundou o Instituto Multidisciplinar de Meio Ambiente e Arqueoastronomia – IMMA, que iniciou o movimento de caminhadas arqueoastronômicas públicas e gratuitas, estando agora na 45ª caminhada. Essa iniciativa fez com que milhares de pessoas presenciassem tais alinhamentos megalíticos e nos ajudaram a confirmar a real importância dos estudos sobre a existência desses sítios históricos.  Já em 2006, o IMMA, através do Vereador Alexandre Fontes  apresentou e conseguiu  aprovar a Lei Ordinária 7202 2006 Florianópolis SC – que INSTITUI A SEMANA MUNICIPAL DA ARQUEOASTRONOMIA EM FLORIANÓPOLIS, que acontece de 18 a 24 de junho, período em que realizamos diversos eventos de conscientização a respeito do assunto.

Em 2017 – O IMMA iniciou também o Primeiro Movimento em defesa dos Monumentos Megalíticos do Brasil, onde através de eventos e exposições foram colhidas assinaturas de pessoas que se sensibilizaram pela causa.

Com as constantes mudanças de governos, e a falta de sensibilidade dos Órgãos Públicos, continuamos lutando na busca por explicações e objetividade de tais blocos,  defendendo-os e revelando nossas descobertas.

Em dezembro de 2017 o IMMA em parceria com a empresa Voa Mamangava lançou o desafio de “Expedições Científicas” convidando a comunidade à participar dos estudos nos sítios megalíticos. O resultado foi espantoso, muitas pessoas se filiaram ao IMMA e tornaram-se pesquisadores descobrindo muitos outros sítios arqueoastronômicos os quais apresentaremos neste relatório.

Objetivo

 

Esse documento tem como objetivo reunir e disponibilizar nossas observações e pesquisas durante as “Expedições Científicas” para quem interessar e ao mesmo tempo se propõe a levar a cabo o Primeiro Movimento em Defesa dos Monumentos Megalíticos do Brasil.

Objetos de pesquisa

Monumentos megalíticos, espaços de formação geológica como aberturas no arenito ou no granito, sambaquis, artes rupestres,  oficinas líticas e a paisagem onde estão inseridos tais objetos arqueológicos.

Metodologia usada

Observações e pesquisas em campo, bibliográficas e com uso de ferramenta como Google Earth e Stellarium.

Estes relatórios serão publicados em partes por se tratar de um assunto extenso e complexo.

Como começaram as Expedições Científicas abertas ao público.

Em 2017, O IMMA em parceria com a Empresa Voa Mamangava, representada por  Zinder Orion Capistrano e Juliana Jeremias, lançaram o desafio “Expedições Científica com 8 roteiros visitas técnicas aos Sítios Megalíticos para acompanhar o movimentos dos astros durante o solstício de verão.

Chamada preparada pela Empresa Voa Mamangava

EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA NAS MONTANHAS SAGRADAS DA ILHA DE SANTA  CATARINA| SOLSTÍCIO DE VERÃO

Não há no mundo outro acervo rupestre como a Ilha de Santa Catarina. São dezenas de pedras que foram orientadas milhares de anos atrás, servindo como calendários astronômicos aos antigos habitantes da Ilha –  que nos desafiam ainda a compreender algumas das tecnologias utilizadas. O solstício de verão, que inicia no próximo dia 21/DEZ /2018, é o momento perfeito para observar e aprender sobre esses fenômenos que intrigam cientistas do mundo todo.

Interpretar essas inscrições milenares e os precisos alinhamentos das pedras,tornou-se a experiência de vida de Adnir Antonio Ramos, nativo Pescador e Antropólogo… que nos ensina que viajar no tempo já é possível há muito tempo por aqui…basta olhar, medir, calcular…

Já imaginou presenciar esses perfeitos alinhamentos, com paisagens incríveis e acompanhado de um bate-papo com o pesquisador que há mais de 30 anos é referência do tema em SC? Por acreditar que nem toda sala de aula tem quatro paredes, convidamos você a embarcar nessa importante jornada de expedições científicas – uma inovação na área do conhecimento que vai conectar a beleza do turismo com o prazer da aprendizagem: Expedições Científicas.

Uma oportunidade única para vivenciar as atividades de um cientista em campo e de atuar criativamente com as pesquisas, cujo resultado servirá para o protocolo nacional de reconhecimento de Florianópolis, como Patrimônio da Humanidade.

ITINERÁRIO 

 

 

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA EXPEDIÇÃO

A jornada de Expedições Científicas nas Montanhas Sagradas da Ilha de SC contemplam 8 diferentes Roteiros, todos coordenados e guiados pelo Antropólogo Adnir Ramos. Você poderá participar de todas ou, somente àquelas de sua preferência.

Cada expedição será diferente, seja pela precisão do alinhamento ou do avanço das pesquisas. Para cada dia haverá uma experiência e aprendizagem diferente.

As trilhas possuem extensão média de 3,5km, de desafio moderado à difícil em alguns trajetos. Indicadas para todas as pessoas que gostem de caminhar e contemplar a natureza. (crianças a partir de 8 anos – acompanhadas de um adulto). Você terá acesso às áreas remotas, com paisagens paradisíacas, nas mais belas regiões naturais de Florianópolis.

Aprendizagem prática e um bom Bate-papo com o antropólogo, responsável por mais de 30 anos de pesquisas sobre os povos antigos, são garantidos!  Descubra a Visão científica e espiritual do tema.

Por se tratar de uma proposta diferenciada, de turismo cientifico, com aprendizagem em campo, estamos limitando o número de pessoas em cada Expedição. Garanta sua vaga!

 

Parte I

 

Nesta primeira parte do relatório apresentaremos observações e estudos feitos no complexo arqueoastronômico Fortaleza da Barra da Lagoa, sito que vem sendo pesquisado a mais de 30 anos.

 

A primeira expedição aconteceu no observatório Pedra Virada, berço de muitas revelações. Não sabemos, quando, como e quem  construiu esses observatórios, também não se sabe por quanto tempo foi usado e por quanto tempo eles estão ocultados. Tudo que podemos afirmar é que houve interferência humana no processo de construção dessas estruturas megalíticas, pois os alinhamentos dos astros nesses observatórios são provas cabais e ainda hoje é possível mensurar o tempo por meio deles.

A primeira expedição acompanhou o movimento aparente do sol a partir do Dólmen da Oração no Morro da Galheta. O dólmen é composto por duas pedras colocadas na vertical com uma terceira sobre elas na horizontal, formando uma espécie de altar. É interessante notar interferência humana até na rocha  que apóia o tampo da mesa, na parte superior da referida rocha no lado oeste,  há um desgaste nos quartzo em um trecho que sugere ter sofrido fricção por um objeto pesado.

O Dólmen da Oração, denominado assim por sua forma votiva, foi estrategicamente construído usando a ilha do Xavier como ponto de referência para marcar o limite máximo do sol no hemisfério sul quando ele atinge o meio da ilha.

O Clima não colaborou com a observação, pois o céu estava nublado o registro só foi feito no dia 06/de janeiro de 2018 quando o sol já havia se deslocado um (1) grau no azimute, saindo um pouco do meio da ilha (Figuras 1 e 2).

No solstício de inverno de 2018, documentamos o alinhamento do sol por baixo do dólmen da oração. Na ocasião Ana Rocha e Equipe da Qi Hai, centro de terapias, conduziu um cerimonial. (Figuras 3, 4,5 e 6). Exatamente nesse dia o sol brilhou para todos os participantes puderam observar o sol por baixo do dólmen da Oração. A arrecadação do cerimonial foi destinada para a compra de 32 cobertores doados à Aldeia Mbya Guarani de Biguaçu. Na ocasião descobrimos que a anciã da aldeia, Dona Rosa,  estava morando em um barraco coberto com telhas de fibra de amianto cercado por bambu. E estava com pneumonia. O IMMA, tomou a iniciativa de reconstruir a casa dela e dar o devido suporte  com apoio de outros parceiros.

https://arqueoastronomia.com.br/noticias/relatorio-das-caminhadas-solidarias-do-equinocio-de-primavera-na-trilha-da-oracao-no-morro-da-galheta?fbclid=IwAR3NgFt-drrBemhvKGRjpwJLg74PTnmjMqVTH7WUwcn–fZAULX_OqHwlKM

A 50 metros no sentido norte do Dólmen da Oração está o observatório Pedra Virada, um observatório incrível capaz de marcar todos os eventos celestes, nossa compreensão ainda não é capaz de entender a abrangência de todas as suas funções. A Pedra Virada tem característica genérica aos dólmens mundiais, ela está apoiada sobre três bases, onde é possível uma pessoa ficar deitada confortavelmente embaixo dela, inclusive um pequeno bloco de rocha forma uma espécie de travesseiro (Figura 7). Quando deitado ali o observador pode acompanhar o nascer do sol na direção da ilha do Xavier no início do verão e também o surgimento do grupo de estrelas  como Plêiades, na constelação de Touro, Cinturão de Órion ( Três Marias) constelação do Caçador e a estrela Siriús da constelação do Cão Maior.

Uma característica interessante da cama embaixo da Pedra Virada é sua orientação precisa norte e sul onde o observador fica posicionado com a cabeça para o norte e o pé para o sul. Já na parte superior há uma inversão de posição. Alguns pesquisadores da Geobiologia nos informaram que tal posicionamento se relaciona ao campo energético/magnético da terra, sendo que em baixo um lugar para descarregar as energias do campo emocional, enquanto que na base superior o posicionamento é invertido remetendo para o campo magnético do pólo norte da Terra onde a energia é recebida com a pélvis voltada para o norte magnético fazendo uma conexão entre a mente, corpo e espírito. Este ponto é um lugar de confluência da energia que vem do lado leste Atlântico ascendendo pelo morro até chegar ao cume e do Oeste Terra- matas rios e lagoas que também sobem pelo morro.

Astronomicamente esse grande bloco de rocha, é muito relevante, outros eventos registrados foram o nascer do sol atrás da cama, onde por um pequeno orifício acompanhamos o movimento aparente do sol, no limite máximo do hemisfério sul, solstício de verão (Figura 8).

Pelo  mesmo orifício é possível ver o pôr-do-sol na mesma data, cuja luz solar é projetada em forma de triângulo em uma rocha atrás de uma cama de pedra, porem a rocha que está ao lado norte dela também deixa transpassar a luz solar no mesmo momento. (Figuras 9, 10 e 11). A rocha que produz a abertura é a mesma usada nos equinócios, assumindo assim várias funções.

Nesse mesmo observatório de rochas, também é possível acompanhar o movimento do sol na linha do horizonte no meio do verão início do mês de fevereiro e no meio da primavera final de outubro. No momento em que o sol surge no horizonte, ela aparece no meio de duas pedras ( figura 11).  Alguns instantes após o levante do sol um feixe de luz é projetado no chão dividindo a terra em duas partes (Figuras 12 e 13) Em nossos estudos o início de fevereiro marca o período da fecundação humana e o fim de outubro da gestação.

O mesmo fenômeno acontece no Templo de Abu Simbel, no Egito, que comemora a data de fecundação e nascimento de Ramsés II (Figuras 14, 15 e 16). De acordo com os saberes egípcios, as  partes que ficam na sombra representam a energia criadora de Deus, sem forma (a não matéria / escuridão). 

Nesse mesmo observatório de rochas, também é possível acompanhar o movimento do sol na linha do horizonte no meio do verão início do mês de fevereiro e no meio da primavera final de outubro. No momento em que o sol surge no horizonte, ela aparece no meio de duas pedras ( figura 11).  Alguns instantes após o levante do sol um feixe de luz é projetado no chão dividindo a terra em duas partes (Figuras 12 e 13) Em nossos estudos o início de fevereiro marca o período da fecundação humana e o fim de outubro da gestação.

O mesmo fenômeno acontece no Templo de Abu Simbel, no Egito, que comemora a data de fecundação e nascimento de Ramsés II (Figuras 14, 15 e 16). De acordo com os saberes egípcios, as  partes que ficam na sombra representam a energia criadora de Deus, sem forma (a não matéria / escuridão).

Nesse mesmo observatório podemos ainda acompanhar o alinhamento do sol no nascer por um orifício em forma de triangulo causado pelo posicionamento de três blocos de rocha (Figura 24). Na ocasião, o observador posicionado no bloco atrás, encostado na pedra vizinha da Pedra Virada, recebe um triângulo de luz na testa (Figuras 25 e 26).

O ocaso do sol nos equinócios também é marcado pela passagem do astro numa fenda ao lado do ponto de observação  do amanhecer (Figura 27). O observador precisa estar deitado com a cabeça encostada em um pequeno bloco de rocha em forma de meia lua posicionado na frente   da rochas número 3 da figura 24 (Figura 28).

O levante do sol no solstício de inverno em seu limite máximo ao hemisfério norte também foi registrado atrás da cama embaixo da Pedra Virada (figura 29 e 30)

Observatório Pedra Virada e respectivos alinhamentos astronômicos

Observatório de Montanha

Na Fortaleza da Barra da Lagoa, um grande bloco de rocha granítica foi deslocado e apoiado sobre três pequenas pedras para servir de plataforma de observação astronômica usando as rochas dos observatórios: Dólmen da Oração, Pedra Virada, Menir Central e Pedra do Dalton (Fig. 32)

Duas lascas das falhas geológicas desse mesmo bloco foram aproveitadas para servir de pontos de apoio para observações astronômicas. A lasca maior, retirada do lado oeste da grande bloco, denominado plataforma, foi colocada em cima da mesma e serve para o observador se posicionar na parte sul e ver o sol nascer no meio dos dois maiores blocos de rochas do observatório pedra Virada (Figura 33). No dia 25 de novembro o sol nasce na constelação de Escorpião no meio das estrelas Omega 1 e Omega 2 a 103 graus do azimute terrestre. Curioso que esse também é o alinhamento com o Templo de Angkor Wat, Camboja, Ásia, que teve sua construção iniciada no ano 1113, por  Suryavarman II, rei do Império Khmer de 1113 até 1145-1150 e responsável pela construção do templo Angkor Wat dedicado ao deus hindu Vishnu. Em Sânscrito o nome significa preferido do sol.  https://pt.wikipedia.org/wiki/Suryavarman_II

A segunda lasca, também tirada do mesmo bloco, um pouco a cima da primeira, serve de base na parte de baixo da plataforma de onde é possível ver um feixe de luz do sol no momento que ele nasce atrás do morro da Galheta no dia do solstício de inverno, a direção do sol nesse momento aponta para as três pirâmides de Gizé, Egito, a 58 graus do azimute (Figura 34).

Para finalizar esta primeira etapa desse relatório apresentamos uma foto aérea tirada e cedida por AEROCONSULT em 2002 por ocasião do levantamento aerofotogramétrico dos monumentos megalíticos do leste da ilha de Santa Catarina e seus respectivos alinhamentos astronômicos e templários.

Equipe Técnica:

Adnir A. Ramos
Juliana Jeremias
Zinder Capistrano
Terezinha Stachelski