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ARQUEOASTRONOMIA EM FLORIANÓPOLIS
21 ago
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ARQUEOASTRONOMIA EM FLORIANÓPOLIS

Germano B. Afonso  &  Adnir Ramos

RELATÓRIO FINAL  

FLORIANÓPOLIS (SC)

Julho de 2002

ARQUEOASTRONOMIA EM FLORIANÓPOLIS

OBJETIVOS

A  Prefeitura Municipal de Florianópolis tem como projeto incrementar o  ecoturismo e o turismo cultural, com a criação do Parque Arqueológico e Astronômico da Galheta e da Barra da Lagoa tendo como atrações, além da paisagem natural, a visita aos megálitos e às gravuras rupestres, acompanhada de guias locais para prestar informações aos visitantes, como ocorre em Stonehenge (Inglaterra), Machu Pichu (Peru) e em muitos outros locais do mundo.

No solstício de inverno do dia 21 de junho de 2002, foram comprovados os indícios, agora verificados pelos cálculos, do alinhamento dos megálitos, com a presença de equipe capitaneada pela Prefeita Angela Regina Heinzen Amin Helou, do Diretor Presidente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, Carlos Alberto Riederer, do Secretário Municipal de Transporte e Obras, Francisco de Assis Filho e do Presidente da Fundação Pró-Florianópolis, Paulo Abraham, entre outros.

Este trabalho, contratado pelo Instituto de Planejamento Urabano e Florianópolis – IPUF com a FUNPAR, determinamos os ângulos formados com o ponto cardeal norte (azimutes) de 40 megálitos, tomados dois a dois, cujas coordenadas foram determinadas pela AEROCONSULT, utilizando o GPS (Posicionamento Global por Satélites), para o IPUF, com os seguintes objetivos:

– Calcular as direções (azimutes) dos alinhamentos do conjunto de megálitos existentes no local do futuro Parque Arqueológico da Galheta e da Barra da Lagoa,

– Analisar esses azimutes para determinar os alinhamentos que possuem orientações astronômicas, isto é, orientados para os pontos cardeais e para as direções do nascer e pôr do Sol nas estações do ano (solstícios e equinócios);

– Determinar o melhor local no Parque para construir o Observatório Astronômico Indígena de Rochas de Florianópolis.

JUSTIFICATIVA

A Ilha de Santa Catarina é rica em vestígios arqueológicos, sendo a região mais interessante que conhecemos, do ponto de vista da Arqueoastronomia Brasileira, em virtude da riqueza de seus megálitos e de suas gravuras rupestres, do fácil acesso e da beleza do lugar.

Em 1918, num importante trabalho de investigação científica sobre a geologia catarinense, o geólogo Major Rosa salientou que da Barra do Rio Itajaí até o Farol de Santa Marta, em Laguna, existem pedras sobrepostas a outras sem  que haja explicação para a forma como  foram trabalhadas geologicamente. No Parque da Galheta, por exemplo, há diversas rochas grandes (megálitos) naturais, sendo que algumas delas (as menores) parecem deslocadas artificialmente para servirem de mira em relação às rochas maiores, com objetivo de orientação astronômica. Esse mesmo sistema de orientação ocorre em outros municípios do Estado de Santa Catarina, principalmente em Laguna. .

A observação do céu esteve na base do conhecimento de todas as sociedades antigas, pois elas foram profundamente influenciadas pela confiante precisão  do desdobramento cíclico de certos fenômenos celestes, tais como o dia-noite, as fases da Lua e as estações do ano. O homem pré-histórico  logo percebeu que as atividades de pesca,  caça, coleta e lavoura obedecem a flutuações sazonais. Assim, ele procurou entender essas flutuações cíclicas e utilizou-as, principalmente, para a sua subsistência.

Os índios acordavam ao nascer-do-sol e quando construíam sua moradia perto de uma montanha escolhiam a posição em que a insolação fosse mais adequada tendo assim o  ritmo biológico regulado naturalmente pelos movimentos do Sol.

A literatura sobre os  índios brasileiros que ainda não tinham muito contato com o homem branco, mesmo sendo escrita por pesquisadores cujos objetivos não eram focalizados no campo da  Astronomia, demonstra que esse povo possuía um vasto e significativo conhecimento dos astros. Ela lista um número substancial de nomes de  estrelas e constelações, a maioria localizada na Via Láctea, a faixa esbranquiçada no céu, onde as estrelas e as nebulosas aparecem em maior quantidade, facilmente visível à noite.

Eles tinham a acuidade visual  e a capacidade  de observação especialmente desenvolvidas, sendo que aplicaram essas habilidades em diversas atividades, inclusive nas observações dos  movimentos dos corpos celestes.

A Astronomia envolvia, em um certo sentido, todos os aspectos da cultura dos índios brasileiros. O caráter prático dos seus conhecimentos  astronômicos empíricos podia ser reconhecido na organização social e nas condutas do cotidiano, servindo, por exemplo, para planejar seus rituais, para definir códigos morais, para ordenar as atividades anuais que eram  correlacionadas com os  ciclos da fauna e flora do lugar, bem como para planejar a época de suas plantações e colheitas. Eles avaliavam as horas do dia tendo como referencial o Sol e as da noite, a Lua e as estrelas, com precisão suficiente para regularem suas viagens e seu cotidiano. Além de registrar o tempo, os astros serviam também para a orientação.

A literatura brasileira relata diversos mitos indígenas envolvendo conhecimentos astronômicos. Os mitos constituem em relatos de fatos imaginários atribuídos a personagens fabulosos, deuses e semideuses inexistentes. O homem atribuía a seres superiores os fatos e fenômenos naturais que não podia explicar. Constituem também o relato de feitios e aventuras dos primitivos deuses ou heróis.

A maioria dos mitos associados às estrelas e constelações foram criados para ajudar o homem a identificá-las e serviam como um método mnemônico para transmitir o conhecimento do céu de geração a geração. No entanto, a ordem da seqüência das estrelas e constelações, relatada  pelo contador do mito, algumas vezes é  duvidosa, principalmente  quando ela  não corresponde ao que é encontrado através de observações empíricas diretas. Assim, para compreender melhor alguns desses mitos é necessário um conhecimento básico de Astronomia.

Freqüentemente,  tendemos a  julgar  a cosmologia de outras civilizações através de nossos próprios conhecimentos. No entanto,  a visão indígena do Universo deve ser considerada no contexto dos seus valores culturais e conhecimentos ambientais. É  evidente que nem todas as culturas atribuem igual significado a um mesmo fenômeno astronômico, considerando-se que  cada tribo possui sua própria estratégia de sobrevivência, que se reflete na adequação entre as atividades de subsistência e o ciclo das estações, por exemplo.

Além disso, tendo em vista que todas as  tribos  não dependem de suas moradias, da caça, da pesca ou dos trabalhos agrícolas da mesma maneira, as constelações sazonais, por exemplo, podem ter um significado e uma utilidade diferente para cada uma delas. Devemos separar, também, a maneira de ver o Universo dos índios  que vivem no litoral daqueles que vivem no interior, bem como considerar  a localização geográfica de onde são feitas as observações. Por exemplo,  perto da Linha do Equador  não tem muito sentido falarmos em estações do ano em função da temperatura do local pois, além dela variar pouco, a maior e a menor temperaturas nem sempre correspondem aos dias próximos do que chamamos de verão e de inverno, respectivamente. O clima dessa região é caracterizado, principalmente, por uma estação seca e  uma estação chuvosa.

Apesar disso, verificamos que etnias diferentes de índios brasileiros  possuíam  um conjunto muito semelhante de conhecimentos astronômicos  que era utilizado para materializar o calendário e a orientação. Esse conjunto comum  se refere, principalmente, aos movimentos aparentes do Sol, da Lua, de Vênus, do Cruzeiro do Sul, das Plêiades, de Escorpião, das Três Marias e da Via Láctea. Os índios brasileiros davam maior importância às constelações localizadas na Via Láctea, que podiam ser constituídas de estrelas individuais e de nebulosas, principalmente às escuras; por exemplo, as constelações indígenas da Ema e da Anta.

A ARQUEOASTRONOMIA

A Arqueoastronomia é a disciplina que estuda os conhecimentos astronômicos legados pelas culturas pré-históricas (ágrafas) e por povos antigos capazes de elaborar textos escritos, tais como os mesopotâmios, os egípcios, os gregos e os maias.

Os monumentos de rochas e a arte rupestre pré-históricos são as fontes mais importantes de informação que dispomos sobre os primórdios da arte, do pensamento e da cultura humana. Assim, a Arqueoastronomia requer a colaboração de especialistas em  Astronomia, Antropologia, História da Arte e Arqueologia, entre outros, pois as evidências astronômicas são freqüentemente fragmentadas, sutis e sujeitas a diversas interpretações.

A mais conhecida evidência de que o homem antigo utilizava o céu é Stonehenge, próximo a Salisbury, Inglaterra. Em 1740, William Stukeley foi o primeiro a estudar Stonehenge do ponto de vista astronômico. Ele percebeu que o eixo principal do monumento estava orientado na direção  do nascer-do-sol no solstício do verão.

A Arqueoastronomia desenvolveu-se com as pesquisas do astrônomo Sir Joseph Norman Lockyer, fundador da conceituada revista britânica Nature.  Em 1891, ele estudou as orientações astronômicas de certos  templos da Grécia clássica e das pirâmides e templos do antigo  Egito. Mais tarde, forneceu explicações astronômicas mais detalhadas sobre os megálitos de Stonehenge  e os menires da Bretanha (França).

Há três décadas, essa disciplina recebeu novos reforços com as pesquisas do astrônomo Gerald Stanley Hawkins. Em 1965, ele escreveu o livro “Stonehenge Decodificado”, mostrando que essa construção megalítica (do grego: mega – grande e lithos – pedras), iniciada há mais de 4 mil anos, poderia ser utilizada como um observatório solar e lunar para a previsão de eclipses. Embora esse trabalho seja muito polêmico, diversos cientistas de renome internacional, tais como o arqueólogo Robert Atkinson e o astrônomo Fred Hoyle concordam, em parte, com as hipóteses de Hawkins.

A partir de 1970, a Arqueoastronomia começou a ser ministrada como disciplina em algumas Universidades, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa. Atualmente, as pesquisas nessa área se intensificam em todo o mundo.

Monumentos de rochas encontram-se espalhados pelo mundo e têm sido registrados principalmente na Europa, Ásia e África. Alguns desses alinhamentos possuem a idade estimada em 5.000 anos enquanto outros parecem ser menos antigos.

A Arqueoastronomia  estuda, principalmente, os monumentos orientados para os pontos cardeais ou para as direções do nascer e ocaso do Sol, da Lua ou de estrelas brilhantes, passíveis de medições astronômicas. Esses monumentos, possivelmente, teriam uma utilidade prática na determinação do calendário ou na orientação. Além disso, ela estuda a arte rupestre com possível conotação astronômica.

Existem alguns painéis de arte rupestre que além do Sol, da Lua e de estrelas, parecem representar fenômenos efêmeros, como a aparição de um cometa muito brilhante, um meteoro, uma conjunção de planetas, um eclipse, ou a explosão de uma supernova, que alteravam a ordem do Universo sendo, portanto, registrados. Assim, esses registros também podem ser úteis para o astrônomo documentar antigos eventos celestes.

No Brasil, a identificação de figuras rupestres como representações de astros remonta ao início do século XIX, com o pintor francês Jean Baptiste Debret. Apesar disso, em nosso país, são raros os pesquisadores nessa área, principalmente com formação em Astronomia.

Temos observado que a arte rupestre e alguns monumentos, com aparente conotação astronômica, encontrados no Brasil, têm muita semelhança com aqueles de outras regiões do mundo, embora elaborados por pessoas diferentes, em épocas diferentes e, talvez, com o mesmo nível cultural. Sinais que representam o cotidiano, ou que se referem ao culto das forças da natureza ou ao cosmos, são muito semelhantes entre si, mesmo quando originários de culturas distantes. Essas similaridades facilitam muito uma tentativa de interpretação.

Durante os anos 70, a investigação do conhecimento astronômico dos povos antigos despertou o interesse dos especialistas das ciências humanas, surgindo grande quantidade de estudos entre antropólogos e historiadores. Baseados não apenas em vestígios arqueológicos, mas também em documentos históricos, relatos de tradições orais e registros etnográficos, eles deram consistência a uma outra disciplina, denominada Etnoastronomia. A sistematização e a metodologia dessa disciplina foram propostas pela antropóloga norte-americana Elizabeth Baity, no periódico Current Anthropology em 1973.

Em nossos trabalhos, temos sempre tentado vincular a Arqueoastronomia com a Etnoastronomia, colhendo informações com os índios e em antigos relatos dos antropólogos Claude d’Abbeville, Léon Cadogan, General Couto de Magalhães, Eduardo Galvão, entre outros. Nesse caso, temos sempre em mente o enorme intervalo de tempo e de espaço existente entre culturas diferentes. Além disso, sabemos que o céu sob o qual dormimos todas as noites não é igual aquele do passado distante, que sua visão  é distinta para cada cultura e também pode ser distinta em diferentes períodos de uma mesma cultura.

Um dos motivos que nos incentivou a realizar este trabalho foi verificar que o sistema astronômico dos extintos Tupinambá do Maranhão, descrito pelo monge capuchinho francês Claude D’Abbeville, em 1614, no seu livro “Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão” é muito semelhante ao utilizado, atualmente, pelos Guarani do Sul do Brasil, embora separados pelas línguas (Tupi e Guarani), pelo espaço (mais de 3.000 km, em linha reta) e pelo tempo (quase 400 anos). Os nossos amigos, Pajés Guarani, nos ensinaram a localizar a maioria das constelações Tupinambá, apenas relatadas por D`Abbeville.

Temos utilizado nossos trabalhos de Arqueoastronomia também no Ensino Fundamental e na divulgação desses conhecimentos junto à comunidade. Devemos ressaltar que os próprios índios nos auxiliam e apóiam em nossos estudos,  pois eles também estão buscando, cada vez mais, o resgate de sua cultura.

Todos os sítios arqueológicos brasileiros necessitam de um estudo mais aprofundado em relação ao seu conteúdo astronômico. Com este trabalho esperamos estar contribuindo para nossa cultura, tendo em vista que na arte das origens da humanidade encontramos arquétipos e paradigmas que constituem a base de nosso ser e que até hoje nele se mantêm profundamente arraigados.

O OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO INDÍGENA

Desde a pré-história o Homem observou que havia variações do clima e que os animais, as flores e os frutos vinham de acordo com as diferentes estações do ano. Assim, para usufruir melhor da flora e da fauna, ele começou a registrar os fenômenos celestes, principalmente os movimentos aparentes do Sol.

Quase todos esses registros foram obtidos através de um dos mais simples e antigos instrumentos de Astronomia: o relógio solar ou gnômon vertical.  Ele é constituído de uma haste cravada verticalmente no solo da qual se observa a sombra projetada pelo Sol, sobre um terreno horizontal. O gnômon foi utilizado, também, nas civilizações maiores: Egito (obeliscos), século XV a.C.; China, século XI a.C.; Grécia, século VII a.C.. O relógio solar, simples haste vertical, teve então um papel muito importante e às vezes subestimado no desenvolvimento da Astronomia.

Podemos construir um relógio solar com um pedaço de madeira (cabo de vassoura, por exemplo) cravado verticalmente no solo. Para verificarmos se a madeira se encontra na vertical, amarramos uma pedra em um barbante (fio de prumo) e a suspendemos ao lado da madeira. Se a madeira ficar paralela ao barbante ela se encontra na vertical do lugar.

Os índios brasileiros determinavam o meio-dia solar, os pontos cardeais e as estações do ano utilizando o relógio solar que na língua tupi, por exemplo, se chamava Cuaracyraangaba. Em geral, as hastes desses relógios  indígenas eram construídas de um bloco de rocha bruta, pouco trabalhado artificialmente, de forma e altura variáveis, disposto verticalmente no solo. Quando se encontra isolado, esse bloco é mais conhecido como monólito.

Em 1991, estudamos um monólito vertical, com cerca de 1,50 metros de altura, encontrado em um sítio arqueológico, às margens do rio Iguaçu, perto de onde foi construída a Usina Hidrelétrica de Salto Segredo (PR).

Ele tinha quatro faces talhadas artificialmente, apontando para os quatro pontos cardeais, sendo que as duas faces maiores  apontavam para a direção leste-oeste. Em volta desse monólito havia uma circunferência e, também, alinhamentos de rochas menores que, partindo dele, aparentemente indicavam os pontos cardeais e as direções do nascer e do pôr-do-sol nas estações do ano. A maioria dessas rochas foi deslocada de suas posições originais por caçadores de tesouro, não permitindo um estudo detalhado da construção.

Considerando que esse monólito talhado foi colocado na posição vertical e que muitas tribos de índios brasileiros usavam e ainda usam o relógio solar, supomos que ele poderia servir, também, como um relógio solar mais aperfeiçoado, pois poderia fornecer os pontos cardeais mesmo na ausência do Sol.

Em 1996, durante pesquisas efetuadas com a Arqueóloga Maria Beltrão, encontramos no Município de Central (BA) um monólito semelhante ao que estudamos em Salto Segredo (PR). Neste caso, as rochas menores estavam empilhadas no monólito pois o local foi destinado ä lavoura.

Na base do Monte Roraima (RO), na região em que habitam os índios Pémon, também existe um monólito central com rochas menores em sua volta formando uma circunferência. Essa construção é tão antiga que os próprios nativos desconhecem a sua origem.

Na região norte da Argentina foi localizado o  monumento de rochas mais alto do mundo, no vulcão Antofalla (6.100m) em Puna de Catamarca. Ele também é constituído de uma circunferência de rochas, disposta em volta de um monólito vertical situado no centro.

Em 1998,  foi descoberta na região de Nabta, no sul do Egito, uma construção cerimonial com cerca de 5.000 anos, mais antiga que os megálitos da Europa e as pirâmides do Egito. Ela possui rochas alinhadas para os pontos cardeais e para as direções do nascer e do pôr-do-sol nos solstícios.

Em 2001, localizamos na Ponta do Gravatá, Florianópolis (SC), outro monólito orientado para os pontos cardeais, perto de diversas rochas orientadas para as direções do nascer e do pôr-do-sol nos solstícios.

A semelhança estrutural do conjunto rochoso de Florianópolis com o de  Salto Segredo (PR), com o de Central (BA), com o de Puna de Catamarca (Argentina),  com o do Monte Roraima (RO) e com o de Nabta (Egito) é surpreendente. No entanto, devemos considerá-la normal, tendo em vista que a observação empírica do Sol feita por diferentes povos segue, aproximadamente, a mesma metodologia.

OS  PONTOS CARDEAIS PELO RELÓGIO SOLAR

A Terra gira ou rotaciona em torno de uma linha imaginária que passa pelo Pólo Norte e pelo Pólo Sul. Essa linha é denominada eixo de rotação terrestre. Nosso planeta completa uma volta ao redor do seu eixo a cada 24 horas definindo, assim, a primeira unidade de tempo utilizada pelos índios brasileiros: o Dia Solar.

O movimento de rotação da Terra, em torno de seu eixo, ocorre de oeste para leste, o qual corresponde  ao sentido anti-horário, visto de cima do Pólo Norte. No entanto, como nos encontramos na superfície terrestre, temos a impressão de que são os astros que se movem no sentido contrário, de leste para oeste.

Um observador situado em um lugar alto, livre de prédios e de montanhas, tem a impressão que o céu e a Terra se encontram, muito ao longe, separados por uma linha que chamamos de Linha do Horizonte. Ao plano que contém essa linha e o observador chamamos de Plano do Horizonte ou, simplesmente, de Horizonte.

Ao fenômeno do aparecimento do Sol pela manhã, emergindo pelo horizonte, chamamos de Nascer-do-Sol ou Aurora. Ao fenômeno de seu desaparecimento, imergindo pelo horizonte, à tarde, denominamos Pôr-do-Sol ou Ocaso.

Quando o  Sol nasce, do lado leste, a sombra da haste vertical  é enorme, ficando do lado oeste. À medida que o Sol vai subindo, em relação ao horizonte, a sombra vai diminuindo até atingir um comprimento mínimo, quando o Sol atinge sua máxima elevação diária, chamada Culminação Solar. Depois, o Sol passa para o lado oeste e a sombra da haste também muda de lado, passando para o lado leste. À medida que o Sol  vai descendo,  a sombra da haste aumenta,  até o pôr-do-sol.

O Meio-Dia Solar ocorre no instante em que o Sol, em seu movimento aparente diurno, passa do lado leste para o lado oeste, localizando-se exatamente sobre a linha norte-sul. A sombra da haste do relógio solar também  se localiza  nessa linha, no lado oposto ao do Sol. Nesse instante, o Sol atinge a sua elevação máxima diária (culminação) e a  sombra da haste atinge o seu comprimento mínimo. O meio dia solar é o instante médio dos instantes do nascer e do pôr-do-sol.

Os pontos cardeais podem ser obtidos da seguinte maneira:

Na direção  da sombra mínima diária da haste vertical, ao meio-dia solar, temos a linha norte-sul.  Sobre a linha norte-sul,  apontamos  o nosso braço direito  para o lado em que o Sol nasce. Assim,  à nossa frente temos o Norte, às nossas costas  temos o Sul, à direita  o Leste e à esquerda o Oeste.

AS ESTAÇÕES DO ANO PELO NASCER PELO E PÔR-DO-SOL

O dia do início de cada estação do ano pode ser obtido através da observação  do nascer ou do pôr-do-sol, sempre de um mesmo lugar.

O Sol sempre nasce do lado leste e se põe do lado oeste. Somente nos dias do início da primavera e do  outono, o Sol nasce exatamente no ponto cardeal Leste e se põe exatamente no ponto cardeal Oeste. Para um observador no Hemisfério Sul, em relação à linha leste-oeste, o nascer e o pôr-do-sol ocorre mais para o Norte no inverno  e mais para  o Sul no verão.

O tempo gasto pelo Sol para nascer (ou se pôr) duas vezes, consecutivamente, em um mesmo ponto extremo, em relação ä linha leste-oeste, é de um ano. Esse ponto extremo pode ser atingido no dia do início do inverno ou no dia do início do verão.

Utilizando rochas, por exemplo, para marcar essas direções, os índios materializavam  os quatro pontos cardeais e as direções do nascer e do pôr-do-sol no início das estações do ano.

Podemos, também, conhecer os dias transcorridos em um ano, marcando a direção da sombra da haste, em cada dia, ao nascer ou ao pôr-do-sol. Essa direção se desloca com velocidade variável. Próximo aos pontos extremos (verão e inverno) a mudança em sua direção é mais lenta.

No Sul do Brasil, quando o nascer e o pôr-do-sol ocorrem perto dos pontos extremos do lado norte (inverno) faz mais frio e a duração da noite é maior que a do dia; quando eles ocorrem perto dos pontos extremos do lado sul (verão) faz mais calor e a duração do dia é maior que a da noite. Quando o nascer e o pôr-do-sol ocorrem nas posições intermediárias (primavera e outono) a temperatura é mais amena e a duração do dia é igual a da noite.

Nas regiões situadas entre os trópicos, a relação entre a posição do nascer e do pôr-do-sol com a temperatura e a duração do dia é menos evidente. Por exemplo, segundo Claude D’Abbeville, os Tupinambá do Maranhão, situados perto da Linha do Equador, também observavam o movimento do nascer e do pôr-do-sol e o seu deslocamento na linha do horizonte,  que efetua entre os dois trópicos, limites que jamais ultrapassam. Eles sabiam que quando o Sol vinha do lado norte  trazia-lhes ventos e brisas e que, ao contrário, quando vinha do lado sul, trazia chuvas. Eles contavam perfeitamente os anos em doze meses e isso pelo conhecimento do deslocamento do Sol de um trópico a outro e vice-versa. Conheciam igualmente os meses pela época das chuvas e pela época dos ventos ou, ainda, pelo tempo dos cajus.

AS ESTAÇÕES DO ANO PELA CULMINAÇÃO DO SOL

 Chamamos de Zênite de um lugar o ponto imaginário, no céu, bem acima da cabeça de um observador, verticalmente em pé, sobre um terreno horizontal.

As linhas dos trópicos (Capricórnio e Câncer) limitam a região da superfície terrestre na qual o Sol passa pelo zênite do observador, ao meio-dia solar, em dois dias do ano. Sobre as linhas dos trópicos ele passa apenas uma vez ao ano, no equinócio de verão do hemisfério correspondente.

A Culminação do Sol ocorre ao meio-dia solar, quando ele se encontra mais alto em relação ao horizonte, em geral abaixo do zênite. Se a culminação do Sol ocorrer exatamente no zênite, uma haste vertical não projeta sombra nesse instante.

Em geral, o meio-dia solar que representa a natureza não coincide com o meio dia convencional, isto é, às 12 horas, de nossos relógios, variando com o lugar da observação. Além disso, para um mesmo lugar, existem pequenas diferenças de tempo, nos diversos dias do ano, porque a velocidade de translação da Terra em torno do Sol (movimento de revolução) não é constante.

Tendo em vista que o Sol culmina em alturas diferentes a cada dia do ano, a sombra da haste vertical de um relógio solar, na linha norte-sul, também  varia de comprimento a cada dia, atingindo um ponto extremo no dia do início  do verão e o outro no dia do início do inverno, ao meio-dia solar. Assim, quando a linha do horizonte não for bem visível, a melhor maneira de determinar as estações do ano é observando o comprimento da sombra de uma haste vertical, em diversos dias do ano, ao meio-dia solar (linha norte-sul), pois o tempo gasto pela sombra da haste para atingir duas vezes,  consecutivamente,  um mesmo ponto extremo, na linha norte-sul, também é de  um ano.

Observando a sombra de uma haste vertical por diversos anos, ao meio-dia solar,  os antigos povos podiam determinar os dias de início de cada uma das quatro estações do ano.

Utilizando rochas, por exemplo, para marcar a posição dessa sombra, os índios podiam conhecer, também, os dias transcorridos em um ano. Ela se desloca na linha norte-sul com velocidades diferentes. Próximo aos extremos (verão e inverno) a mudança na posição diária da sombra é mais lenta.

DETERMINAÇÃO DA ALTURA E DO AZIMUTE DO SOL

Para apresentar valores numéricos, correspondentes ao dia do início de cada estação do ano, necessitamos das definições das seguintes distâncias angulares: altura, azimute e amplitude ortiva.

Altura do Sol (h) é o ângulo formado por sua direção no céu e o plano do horizonte. Ele é  contado verticalmente a partir do horizonte para cima. A altura do Sol é uma distância angular (ângulo) que pode variar de 00 a 900, quando ele se encontra acima da linha do horizonte do observador e de 00 a -900 se ele estiver abaixo dessa linha.

Podemos obter a altura do Sol, em qualquer instante, medindo a altura da haste vertical e o comprimento de sua sombra horizontal naquele instante: desenhamos, em uma escala apropriada, o triângulo retângulo formado por essas duas medidas e, com um transferidor, determinamos o ângulo correspondente à altura do Sol. Quando o Sol se encontra no plano do horizonte sua altura vale 00 e no zênite 900.

Consideremos, por exemplo, a altura da haste igual a 1,25 metros e o comprimento de sua sombra igual a 1,05 metros. Desenhando a altura da haste como sendo 12,5 cm devemos desenhar, perpendicularmente, o comprimento da sombra como sendo 10,5 cm. Assim, medimos diretamente o ângulo de aproximadamente igual a 500 que corresponde à altura do Sol, naquele instante.

Podemos, também, utilizar a seguinte relação trigonométrica:

Tangente (altura do Sol) = altura da haste/comprimento da sombra

Neste exemplo teremos:

Tangente (altura do Sol) = 1,25/1,05 = 1,19

Altura do Sol = arco tangente (1,19) = 49,960.

Azimute do Sol (A) ao ângulo formado pelo ponto cardeal Norte e a projeção sobre a linha do horizonte de sua direção no céu. Ele é contado no plano do horizonte a partir do ponto cardeal Norte para o Leste, variando de 00 a 3600 . O Norte tem azimute 00, o Leste 900, o Sul 1800 e o Oeste 2700 . A maneira mais fácil de medir azimutes é através da bússola.

Amplitude Ortiva é o ângulo formado pela direção do nascer-do sol ou do pôr-do-sol com a linha leste-oeste, contado no plano do horizonte.

Podemos determinar esses quatro ângulos comparando os azimutes do nascer-do-sol com o azimute do Leste (900) e os azimutes do pôr-do-sol com o azimute do Oeste (2700) .

As amplitudes ortivas  do nascer e  do pôr-do-sol  (AS) que ocorrem nos  dias  dos solstícios (verão e  inverno) são numericamente iguais. Na Linha do Equador, por exemplo, elas valem 23027’, aumentando com a latitude do lugar.

A amplitude ortiva de 23027’ na latitude 00 (Linha do Equador) significa que os quatro valores de azimutes são:

Azimute do nascer-do-sol no solstício do inverno: 66033’ (900 – 23027’).

Azimute do nascer-do-sol no solstício do verão: 113027’, (900 + 23027’).

Azimute do pôr-do-sol no solstício do inverno: 293027’ (2700 + 23027’).

Azimute do pôr-do-sol no solstício do verão: 246033’ (2700 – 23027’).

Assim, fornecendo o valor da amplitude ortiva de um lugar nos solstícios significa conhecer os azimutes do nascer-do-sol e do pôr-do-sol nesses dias.

Todos esses três ângulos (altura, azimute e amplitude ortiva) podem ser medidos facilmente com um teodolito, instrumento normalmente utilizado em trabalhos de campo.

OS MOVIMENTOS APARENTES DO SOL EM FLORIANÓPOLIS

Tendo em vista que o Brasil é cortado pela Linha do Equador e pelo Trópico de Capricórnio, a visão das trajetórias do Sol varia com a localização do observador.

Ao  Sul do Trópico de Capricórnio, tal como em Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), a parte mais alta de todas as trajetórias aparentes do Sol passam pelo Norte. A altura do Sol, ao meio-dia solar, é menor no inverno e maior no verão. Na  primavera e  no outono, a altura do Sol é a mesma e fica no meio da altura máxima do verão e da altura mínima do inverno.

O Sol se localiza sempre ao Norte e a sombra da haste sempre ao Sul, em qualquer dia do ano, ao meio-dia solar. O Sol  nunca passa pelo zênite e, conseqüentemente, a haste vertical sempre projeta sombra. Em locais muito próximos do Trópico de Capricórnio, tal como em Curitiba, a sombra fica muito próxima da haste no dia do início do verão, ao meio-dia solar.

Na linha norte-sul, quando o comprimento da sombra projetada pela haste for maior  temos  o início do inverno e  quando ele  for  menor temos o início do verão. Na primavera e no outono, o comprimento da sombra fica entre esses dois comprimentos extremos,  mas não no meio.

Sobre o Trópico de Capricórnio, perto de onde se localizam, por exemplo,  as cidades de São Paulo, Londrina (PR) e Maringá (PR), as trajetórias do Sol são mais altas e inclinadas, em relação ao plano do horizonte do que as do Sul do Trópico de Capricórnio.

O Sol passa pelo zênite no dia do início do verão, ao meio-dia solar e, conseqüentemente,  a haste vertical  não projeta  sombra  nesse instante. Nos outros dias, o Sol fica ao  Norte, ao meio-dia solar e a sombra  ao Sul da haste.

Entre a Linha do Equador e o Trópico de Capricórnio, tal como nas cidades do Rio de Janeiro e Salvador, as trajetórias do Sol são mais altas e inclinadas, em relação ao plano do horizonte, do que as da região situada no Trópico de Capricórnio.

A parte mais alta das trajetórias do inverno, da primavera e do outono continuam a passar pelo norte, mas a  trajetória  do dia do início do verão só passa  pelo Sul. Ao meio-dia solar, a altura do Sol é menor no inverno e  maior no verão.

Nessa região, o Sol passa pelo zênite  em dois dias do ano, próximos do dia do início do verão e, conseqüentemente,  a haste não projeta sombra nesses dias.

Na Linha do Equador, como em Macapá, as trajetórias do Sol são perpendiculares ao plano do horizonte. A trajetória do inverno se localiza totalmente ao Norte e a do verão totalmente ao Sul. As trajetórias dos dias do início da primavera e do outono se localizam sobre a linha leste-oeste, passando pelo zênite.

Ao meio-dia solar, a sombra projetada pela haste se localiza mais ao Sul no inverno  e  mais ao Norte no  verão. Embora localizadas em lados opostos, essas sombras extremas têm o mesmo comprimento.

No início da primavera e do outono a haste não projeta sombra ao meio-dia solar.  Nos outros instantes desses dois dias,  a sombra projetada pela haste fica sempre na linha leste-oeste.

CONCLUSÕES

Em Florianópolis, Santa Catarina (Latitude = 27,610 Sul; Longitude = 48,430 Oeste; Fuso Horário = 3 horas Oeste) a amplitude ortiva  nos solstícios é igual 26,750.  No dia do início das quatro estações do ano, ao meio dia solar, as alturas do Sol, com os respectivos azimutes que ele culmina são:

Equinócio de Outono: 62,39Norte;

Solstício de Inverno: 38,94Norte;

Equinócio de Primavera: 62,39Norte;

Solstício de Verão: 85,84Norte.

Os azimutes do nascer e do pôr-do-sol no início de cada estação do ano, são os seguintes:

Azimute do nascer-do-sol nos equinócios (primavera e outono): 900 .

Azimute do pôr-do-sol nos equinócios (primavera e outono): 2700.

Azimute do nascer-do-sol no solstício do inverno: 63015’.

Azimute do nascer-do-sol no solstício do verão: 116045’.

Azimute do pôr-do-sol no solstício do inverno: 296045’.

Azimute do pôr-do-sol no solstício do verão: 243015’.

 

Analisando as 1.600 direções definidas pelos 40 pontos selecionados cujas coordenadas foram obtidas com o Sistema de Posicionamento Global (GPS), representados no mapa da AEROCONSULT S/A, Contrato N0 97/IPUF/2000 (Anexo), chegamos às seguintes conclusões:

 

1) Os 18 megálitos que melhor definem as orientações astronômicas procuradas são:

1.01) PE01 para PE02 = ponto cardeal oeste;  PE02 para PE01 = ponto cardeal leste;

1.02) PE01 para PE05 = nascer-do-sol no verão;  PE05 para PE01 = pôr-do-sol no inverno;

1.03) PE04 para PE05 = nascer-do-sol no inverno;  PE05 para PE04 = pôr-do-sol no verão;

1.04) PE04 para PE29 = ponto cardeal sul;  PE29 para PE04 = ponto cardeal norte;

1.05) PE05 para PE07 = ponto cardeal sul;  PE07 para PE05 = ponto cardeal norte;

1.06) PE05 para PE08 = ponto cardeal sul;  PE08 para PE05 = ponto cardeal norte;

1.07) PE07 para PE08 = ponto cardeal sul;  PE08 para PE07 = ponto cardeal norte;

1.08) PE17 para PE29 = ponto cardeal sul;  PE29 para PE17 = ponto cardeal norte;

1.09) PE19 para PE22 = ponto cardeal sul; PE22 para PE19 = ponto cardeal norte;

1.10) PE19 para PE28 = ponto cardeal sul; PE28 para PE19 = ponto cardeal norte;

1.11) PE20 para PE22 = ponto cardeal sul; PE22 para PE20 = ponto cardeal norte;

1.12) PE20 para PE28 = ponto cardeal sul; PE28 para PE20 = ponto cardeal norte;

1.13) PE23 para PE24 = ponto cardeal sul; PE24 para PE23 = ponto cardeal norte;

1.14) PE25 para PE26 = ponto cardeal sul; PE26 para PE25 = ponto cardeal norte;

1.15) PE31 para PE33 = nascer-do-sol no verão; PE33 para PE31 = pôr-do-sol no inverno;

1.16) PE31 para PE37 = pôr-do-sol no verão; PE37 para PE31 = nascer-do-sol no inverno;

1.17) PE37 para PE39 = ponto cardeal oeste; PE39 para PE37 = ponto cardeal leste;

1.18) PE38 para PE39 = pôr-do-sol no inverno; PE39 para PE38 = nascer-do-sol no verão.

2) Entre as 18 direções mais relevantes, existe uma predominância de direções norte-sul, totalizando 11. Há 2 direções leste-oeste (equinócios) e outras 5 direções que correspondem aos dias do nascer e pôr-do-sol nos solstícios (verão e inverno).

3) Encontramos dois prováveis locais de observatórios indígenas, constituídos de megálitos que se localizam na Ponta do Frade e na Ponta do Gravatá, extremos da praia (cabos):

3.1) Os megálitos PE01, PE02, PE05, PE06, PE07, PE08 e PE04, situados na Ponta do Frade, constituem um observatório astronômico completo de rochas que fornece as direções do nascer e do pôr-do-sol nos equinócios e nos solstícios, assim como a direção norte-sul.

3.2) Os megálitos PE31; PE33, PE37, PE38 e PE39, situados na Ponta do Gravatá, também constituem um observatório astronômico de rochas; que fornece as direções do nascer e do pôr-do-sol nos  equinócios (primavera e outono) e nos solstícios (verão e inverno). Além disso, nesse local existe um megálito orientado para os pontos cardeais e dois pontos de observação: um para o solstício de verão e outro para o solstício de inverno.

4) O melhor lugar para se construir um observatório astronômico indígena de rochas, para explicações aos visitantes, é perto do megálito PE34, tendo em vista que é um dos pontos mais alto  da Ponta do Gravatá, com fácil acesso e uma excelente visão da linha do horizonte sobre o mar.

5) A intenção da Prefeitura Municipal é de implantar o Parque Arqueológico e Astronômico, sendo a Ponta do Gravatá, local que apresenta diversos monumentos e pontos que presumivelmente eram utilizados para a observação do movimento solar. O objetivo da implantação do Parque e a criação do observatório astronômico primitivo é desenvolver o conhecimento da população e, em paralelo, criar mais uma opção para o turista, conjugando o turismo ecológico com o cultural.

BIBLIOGRAFIA

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TORRES, Dionisio M. Gonzalez. Folklore del Paraguay. Editora Litocolor SRL, Asunción, Paraguay, 1996.

Curitiba, 01 de julho de 2002

Prof. Dr. Germano B. Afonso & Adnir Ramos

Coordenadores do Projeto

ANEXO 

CÁLCULO DOS AZIMUTES:

PONTO DE PARTIDA  L A T I T U D E              L O N G I T U D E

      PE01            -27 G 34 MIN  16.2993 S      -48 G 24 MIN  48.3630 S

PONTO DE LIGAÇÃO    L A T I T U D E              L O N G I T U D E

PE02            -27 G 34 MIN  16.4291 S      -48 G 24 MIN  53.9039 S

A Z I M U T E =  268 G 29 MIN  39.7054 S     DISTANCIA=     152.039

PE03            -27 G 34 MIN  42.5619 S      -48 G 25 MIN  32.4414 S

A Z I M U T E =  236 G 13 MIN  45.6927 S     DISTANCIA=    1454.403

PE04            -27 G 34 MIN  44.9299 S      -48 G 25 MIN  40.5562 S

A Z I M U T E =  238 G 22 MIN  50.3090 S     DISTANCIA=    1681.131

PE05            -27 G 34 MIN  18.1319 S      -48 G 24 MIN  44.4299 S

A Z I M U T E =  117 G 36 MIN  12.6204 S     DISTANCIA=     121.745

PE06            -27 G 34 MIN  17.9652 S      -48 G 24 MIN  44.2468 S

A Z I M U T E =  114 G 25 MIN  32.2045 S     DISTANCIA=     124.009

PE07            -27 G 34 MIN  21.7951 S      -48 G 24 MIN  44.4547 S

A Z I M U T E =  147 G 38 MIN  11.8922 S     DISTANCIA=     200.278

PE08            -27 G 34 MIN  26.5502 S      -48 G 24 MIN  44.4776 S

A Z I M U T E =  161 G 20 MIN  13.8339 S     DISTANCIA=     333.050

PE09            -27 G 34 MIN  53.8043 S      -48 G 25 MIN  33.4705 S

A Z I M U T E =  226 G 58 MIN  46.8356 S     DISTANCIA=    1692.204

PE10            -27 G 34 MIN  55.4067 S      -48 G 25 MIN  27.6910 S

A Z I M U T E =  221 G 51 MIN  41.0504 S     DISTANCIA=    1616.392

PE11            -27 G 35 MIN   0.9518 S      -48 G 25 MIN  29.1398 S

A Z I M U T E =  219 G  8 MIN   1.9415 S     DISTANCIA=    1772.031

PE12            -27 G 35 MIN   5.6964 S      -48 G 25 MIN  26.9739 S

A Z I M U T E =  214 G 51 MIN  17.1873 S     DISTANCIA=    1852.976

PE13            -27 G 35 MIN   8.6138 S      -48 G 25 MIN  19.4818 S

A Z I M U T E =  207 G 55 MIN  24.9474 S     DISTANCIA=    1822.537

PE14            -27 G 35 MIN  15.3308 S      -48 G 25 MIN  37.0257 S

A Z I M U T E =  216 G 17 MIN  45.5344 S     DISTANCIA=    2254.608

PE15            -27 G 35 MIN  15.7338 S      -48 G 25 MIN  37.4871 S

A Z I M U T E =  216 G 22 MIN   4.5361 S     DISTANCIA=    2272.099

PE16            -27 G 35 MIN  15.3976 S      -48 G 25 MIN  38.5295 S

A Z I M U T E =  217 G  6 MIN   1.2758 S     DISTANCIA=    2280.906

PE17            -27 G 35 MIN  17.9816 S      -48 G 25 MIN  39.0115 S

A Z I M U T E =  216 G 11 MIN  18.3843 S     DISTANCIA=    2352.613

PE18            -27 G 35 MIN  21.5406 S      -48 G 25 MIN  42.0416 S

A Z I M U T E =  216 G 14 MIN  34.7517 S     DISTANCIA=    2490.100

PE19            -27 G 35 MIN  21.6621 S      -48 G 25 MIN  42.3428 S

A Z I M U T E =  216 G 20 MIN  42.1914 S     DISTANCIA=    2498.005

PE20            -27 G 35 MIN  21.5650 S      -48 G 25 MIN  42.3301 S

A Z I M U T E =  216 G 22 MIN  45.5594 S     DISTANCIA=    2495.390

PE21            -27 G 35 MIN  21.7370 S      -48 G 25 MIN  41.7555 S

A Z I M U T E =  216 G  0 MIN  54.5551 S     DISTANCIA=    2490.354

PE22            -27 G 35 MIN  23.3014 S      -48 G 25 MIN  42.3147 S

A Z I M U T E =  215 G 39 MIN  21.2061 S     DISTANCIA=    2538.371

PE23            -27 G 35 MIN  17.6042 S      -48 G 25 MIN  59.0510 S

A Z I M U T E =  225 G 46 MIN  15.3519 S     DISTANCIA=    2705.560

PE24            -27 G 35 MIN  25.1149 S      -48 G 25 MIN  59.0788 S

A Z I M U T E =  222 G 28 MIN  27.8863 S     DISTANCIA=    2872.093

PE25            -27 G 35 MIN  52.4456 S      -48 G 26 MIN  23.3727 S

A Z I M U T E =  221 G 21 MIN  26.7127 S     DISTANCIA=    3943.232

PE26            -27 G 36 MIN   3.4172 S      -48 G 26 MIN  23.4987 S

A Z I M U T E =  218 G 20 MIN  59.5677 S     DISTANCIA=    4204.754

PE27            -27 G 36 MIN  16.7879 S      -48 G 26 MIN  30.3905 S

A Z I M U T E =  217 G  1 MIN  37.7033 S     DISTANCIA=    4645.998

PE28            -27 G 35 MIN  51.0810 S      -48 G 25 MIN  42.7861 S

A Z I M U T E =  207 G  5 MIN  29.9816 S     DISTANCIA=    3277.183

PE29            -27 G 35 MIN  55.7045 S      -48 G 25 MIN  39.5592 S

A Z I M U T E =  204 G 38 MIN  48.8820 S     DISTANCIA=    3366.634

PE30            -27 G 36 MIN  31.1501 S      -48 G 26 MIN   7.4565 S

A Z I M U T E =  207 G 35 MIN   8.2919 S     DISTANCIA=    4683.521

PE31            -27 G 36 MIN  53.0964 S      -48 G 25 MIN  56.2428 S

A Z I M U T E =  201 G  5 MIN  15.2000 S     DISTANCIA=    5173.016

PE32            -27 G 36 MIN  51.1493 S      -48 G 25 MIN  54.6649 S

A Z I M U T E =  200 G 52 MIN  35.4076 S     DISTANCIA=    5101.558

PE33            -27 G 36 MIN  54.6473 S      -48 G 25 MIN  52.8300 S

A Z I M U T E =  199 G 55 MIN  58.2469 S     DISTANCIA=    5184.927

PE34            -27 G 36 MIN  55.4316 S      -48 G 25 MIN  52.9540 S

A Z I M U T E =  199 G 52 MIN  38.8184 S     DISTANCIA=    5208.784

PE35            -27 G 36 MIN  48.8008 S      -48 G 26 MIN   3.3747 S

A Z I M U T E =  203 G 39 MIN  36.4011 S     DISTANCIA=    5125.207

PE36            -27 G 36 MIN  52.1290 S      -48 G 26 MIN  18.7164 S

A Z I M U T E =  207 G 18 MIN  53.1555 S     DISTANCIA=    5398.902

PE37            -27 G 36 MIN  59.5496 S      -48 G 26 MIN   9.8158 S

A Z I M U T E =  203 G 57 MIN  41.0840 S     DISTANCIA=    5499.217

PE38            -27 G 37 MIN   9.5999 S      -48 G 26 MIN  17.3219 S

A Z I M U T E =  204 G 34 MIN  13.9863 S     DISTANCIA=    5865.846

PE39            -27 G 36 MIN  59.8355 S      -48 G 26 MIN  39.4545 S

A Z I M U T E =  211 G 10 MIN  34.5188 S     DISTANCIA=    5884.044

PE40            -27 G 37 MIN  13.6423 S      -48 G 26 MIN  50.7570 S

A Z I M U T E =  211 G 34 MIN  42.8603 S     DISTANCIA=    6408.256